05/10/2012

Manifesto Pró-goró

"A humanidade está três doses de uísque atrasada. Se todo mundo tomasse esses três uísques, não teríamos tantos problemas." Humphrey Bogart

Alguns hereges tem usado como argumento para a legalização da maconha o fato que o álcool seria, supostamente, mais prejudicial à saúde. Além de uma mentalidade tacanha, essa gente demonstra nada saber da história da humanidade.

O goró esta ligado diretamente ao desenvolvimento da raça-humana. Está comprovado cientificamente que o polegar opositor tem como função primordial pegar um copo de cerveja.
Se não existisse goró seria impossível imaginar a humanidade como conhecemos. Viveríamos num mundo envolto em trevas e desilusão. Sem contar que sem álcool a população mundial cairia pela metade. O músico John Lennon disse certa vez que a maioria das pessoas nascem de uma noite de bebedeira numa sexta-feira. O goró é o primeiro e mais eficiente desinibidor sexual que se tem conhecimento.

Além disso é sabido que todos povos da antigüidade tinham o seu goró: Gregos, Egípcios, Romanos, Chineses et al. Só os povos incivilizados da América latina não tinham o seu goró, e esta é sem dúvida a principal razão do nosso atraso em relação ao resto do mundo. Nossos colonizadores já estavam várias doses na nossa frente. Temos nos esforçado para tirar essa desvantagem. Mas não temos apoio da mídia em nossa empreitada, que insiste num conservadorismo atroz e claudicante.
Temos, no entanto, o aval milenar da Igreja Católica. Se você não acredita, é bom lembrar que o primeiro milagre de Jesus Cristo foi justamente transformar água em vinho numa festança arreigada. Imaginem a gama de milagres que ele poderia ter escolhido, mas, não ele foi lá escolheu dar ao povo o que o povo quer: goró. Que assim seja então.

Jah rastafari, no entanto, que se saiba nunca transformou capim em maconha. Sinceramente não tem comparação. [...] Além do mais o goró tem muitas outras vantagens sobre o cigarrinho do capeta. Ele tem mais charme, não fede e não é passado de mão em mão todo babado. O Goró já vem pronto, não precisa fechar, alias é só abrir. O goró, diga-se de passagem, é um exercicio regular que exige muita deicação. Ele deve ser praticado dia-a-dia e não é a toa que muitos se dizem halterocopistas. Leva-se anos para adquirir uma saudável e simpática barriga de provador de cerveja.

Equipe ZeroZen. - Publicada pelo JB.
 

01/10/2012

Minha primeira vez no Bigode

 
 
A primeira vez que fui convidada a ir ao Churrasquinho do Bigode, eu já não tinha mais condições etílicas para tanto, mas deixei o convite suspenso para outra oportunidade.

Depois ouvi falar sobre a legião de fãs que o local tem e isso me deixou bastante intrigada. Ouvi falar sobre roda de violão “sem couvert”, churrasquinho de gato do bom e cerveja trincando.

Até que numa sexta-feira fria fui conhecer o tão falado point dos meninos do FNDE. A primeira impressão é a de que me encontrava numa praça dessas de cidade do interior, onde as pessoas saem de suas casas para colocar o papo em dia. No caso do Bigode, a concentração de pessoas foi muito maior do que imaginei e percebi que havia grupos de cada prédio ao redor dali, além de uma turma de skatistas treinando suas manobras “nem tão radicais”.

Um churrasquinho embaixo de uma marquise que dá acesso à Galeria dos Estados é um local muito conveniente pra quem quer tomar umas depois do trabalho e voltar pra casa de metrô, já que bem ali tem uma estação.

Senti um clima extremamente agradável, onde todos estão a fim de bater um bom papo e a maioria já se conhece há um bom tempo. As balzaquianas são bem vindas e muito bem recebidas. E caso você tenha um casamento ruim e queira saber como se livrar dele, o grande filósofo JB pode te dar todas as dicas de que você precisa. kkkkk

O churrasquinho também passou pela avaliação de qualidade. Bem temperado e assado no ponto, é o acompanhamento perfeito pra uma cerveja estupidamente gelada!

A única reclamação que eu tenho a fazer é em relação ao banheiro. Nós mulheres sofremos um pouco com o banheiro químico sem travas na porta. Fora isso, terei o maior prazer em retornar para tomar uma cervejinha com os queridos novos amigos que fiz e que frequentam periodicamente o local.


Beijo da Dani. (Danielle Carneiro)

14/08/2012

O que é a cerveja



O que é a cerveja
Era um homem sábio aquele que inventou a cerveja” <Platão>

Revista Viva Mais – julho de 2012 - Reginaldo Maranhão

É curioso notar que bibere, em latim não significa cerveja, mas apenas “beber”. O termo do latim clássico para designar a cerveja é cervisia, com avariante cerevisia. Dessa raiz derivaram as palavras cerveja, do português, e cerveza do espanhol. Desde Plínio, o Velho, que viveu entre os anos 23 e 79 da era cristã, os estudiosos da Filosofia acreditavam que cervesia procede de Ceres, que na mitologia latina era a deusa da agricultura.

A cerveja é o resultado da fermentação alcoólica preparada de mosto de cereal maltado, geralmente acevada. Também pode-se adicionar mais de um cereal (milho, arroz, aveia ou trigo) com as sementes germinadas ou não. Entretanto sabe-se hoje que o cereal mai simportante para a boa qualidade da cerveja é a cevada. Ao mosto de malte é acrescentado ainda lúpulo e levedura (fermento cervejeiro).

Essa é a fórmula básica para aprodução de qualquer tipo de cerveja, cujo teor alcoólico varia de 3% a 8%. Sob a denominação de cerveja encontramos uma grande variedade de tipos dessa bebida, que são obtidos por processos que vão desde a fabricação caseira à industrial altamente tecnizada.

Para se chegar ao produto final –a cerveja no ponto de ser consumida – o processo de produção (tanto industrial como artesanal) passa por cinco fases: maltagem da cevada, secagem do malte e eliminação das radículas; moagem grossa do malte; brassagem ou mosturação;cozimento do lúpulo (desse ponto em diante entra a fase de preparação do produto para o consumo, como filtragem decantação, engarrafamento e pasteurização).

Basicamente, a fabricação industrial pode ser dividida em duas etapas principais (o que vale também paraa artesanal): a mosturação e a fermentação.

Encaminhado por Pedro Wolff.

17/07/2012

quia absurdum

“A arquitetura desafiadora onde centenasde pessoas conseguem se locomover com fluidez tendo como o próprio cenário responsável por inspirar as grandes decisões”. Essa frase poderia ter sido creditada a Lúcio Costa, o arquiteto bicentenário, um doutor em arquitetura o umesmo um poeta no auge de sua felicidade ou editor de uma revista.

Mas não o autor desta frase estásentado de vez em quando ao seu lado. Mais precisamente na nave direita da churrasqueira. Ontem, me arrependi de não ter conhecido o banheiro na época de sua inauguração. Mas não vim aqui para falar isso.

Vou falar da verdadeira Torre de Babelecológica que é o Setor Bancário Sul. O SBS seria o macro e o churrasquinho do bigode seria seu microcosmos. Digo isso por sua habilidade de proliferar pessoas de cunho esquerditas, artistas, intelectuais, músicos e etc.

Na verdade o coração esta lá. Como seu Caíque falou certa vez “uma gratuidade”. Ali descarregamos a tensão do dia-a-dia. Muitos enfartos foram prevenidos frequentando o Chaguinha. È o momento de se desgarrar dos problemas e falar besteiras.

Mas não o posudo a esquerda não fala besteiras? Besta é ele. Besta é tu. Porque não viver este mundo. Ali estamos diante de baratas, bêbados andarilhos, desgraçados... a pior classe da marginalidade. E somos felizes e coabitamos. Nestes quase dez anos interruptos, desde quando em novembro de 2001 Antônio, vulgo Valdeci, resolveu sair timidamente daquela úmida galeria e em buscar de seu lugar ao sol, e a lua também. Nunca foi registrado um desentendimento neste local.

Maquiavel diria mantenha suas inimigos por perto. Maquiavel é besta porque não tem nada a ver com isso. Estamos ali,com a cara limpa, a mostra e festivos. Não queremos um sofá, mas um engraxate a disposição faria diferença.

Logo, sobre aquele churrasquinho: credo quia absurdum

Pedro Wollf

05/12/2011

Diário de Borda – Um conto de Natal


Então, por esses dias, por dever e vontade retornei à Marquise. Voltei a Stonehenge tal
um devoto que retoma periodicamente sua santa peregrinação. Caminhei léguas e léguas
dentro do avião, passei privações, ultrapassei obstáculos, cruzei desertos, desafiei exércitos,
defendi-me em guerras, dormi em vigília, esclareci enigmas, alimentei-me espartanamente
com míseras barras de cereal, cumpri os 10 Trabalhos, enfim, purifiquei o espírito para
estar pronto ao reerguer n’olhar o imaculado lugar. Lá chegando, após festejos e abraços e
saudações efusivas dos outros monges ascetas, busquei o Santo Graal e com ele entornei o
líquido sacro. E, confesso comovido, a sua ingestão dotou-me novamente da sensação única
da experiência máxima do pináculo extremo de algo que acabo de esquecer... Buenas, o que
importa é que foi bom e recompensador. Disso, guardo certeza. Recordar é viver.

E, digo-vos. Retornar à Marquise, retomar a sua imponência e a sua explicação do
mecanismo universal, receber as suas místicas emanações, estudar a sua estupenda e
misteriosa arquitetura, perceber a exatidão de sua localização geocêntrica, tudo redundou
no resgate de uma vida. A minha vida. Ela dotada de existência e sabedoria. Sim, a
Marquise nos ilumina e doa a energia mater que o Sacerdote Valdeci bondosamente colhe
nas florestas da sapiência do Setor de Abastecimento e nos vende a um preço exorbitante.
E louvamos todos nós no rito concêntrico e exegético da noite em galhardia. Aleluia!
Bebemos a beatificação e fortalecemo-nos para a gloriosa recepção do dia. Aleluia! Nada
nos deterá. Nada nos curvará. Nada nos vencerá. Nem mesmo o que mais forte e impiedoso
nos ataca, a temível ressaca! Aleluia!

Sim, sim. E isso por que a troca energética é tamanha e são muitas e várias e múltiplas e
multitudinárias as emoções. Mas, retrocedendo um pouco, confesso-vos que ao adentrar
novamente a rodinha de amigos senti um prazer tanto anímico quanto físico. De um jorro,
fiz-me presente. Em metáfora, mesmo, ou não, como diria Caê, desagüei ali. E estive em
casa. Adentrei o círculo e vi a felicidade estampada no rosto de cada um. Eles, os meus
amigos, gostaram de mim ali, dentro de seus espaços. E, claro, foi gratificante. Diria-vos
mais, valeu cada palmo da distância. Um homem cumpre o seu destino e eu, humilde servo,
assim procedi. Apontei minha bússola para a Marquise e zarpei em caronas de corsários,
e rumei em trabalhos de piratas, e prossegui em sociedades de bucaneiros, e rompi marés
perigosas com o intuito maior de ofertar meu magma aos irmãos anacoretas. E assim foi
feito.

Mas o propósito destas mal destacadas linhas é o que explicito no título. Estamos entrando
na época das festas de final de ano. Época de balaços e de balanços, nessa ordem. Época de
troca de presentes. Época de renovação de esperanças. Época de soerguimento da crença
na possibilidade humana. Época de se entupir – mais – de contas. Mas, sobretudo, época de
percebermos com precisão a época em que vivemos. Época de reconhecermos e saudarmos
os amigos. Época de buscá-los e de reuni-los. Época de sermos felizes e nos esforçarmos na
extensão dessa época para a outra que se inaugura. Época de tornarmos a vida mais pura.
Feliz Natal a todos! Obrigado, meus amigos. Ho-ho-ho.

PH – 01/12/11

21/11/2011

Boteco nosso de cada dia


Em razão do meu “ciganismo intelectual” falando em muitos lugares e ambientes sobre um sem-número de temas que vão da espiritualidade à responsabilidade socioambiental, e até sobre a possibilidade do fim de nossa espécie, os organizadores, por deferência, costumam me convidar para um bom restaurante da cidade. Lógico, guardo a boa tradição franciscana e celebro os pratos com comentários laudatórios. Mas me sobra sempre pequeno amargor na boca, impedindo que o comer seja uma celebração. Lembro que a maioria das pessoas amigas não podem desfrutar destas comidas e especialmente os milhões e milhões de famintos do mundo. Parece-me que lhes estou roubando a comida da boca. Como celebrar a generosidade dos amigos e da Mãe Terra se, nas palavras de Gandhi, “a fome é um insulto e a forma de violência mais assassina que existe”?

É neste contexto que me vêm à mente como consolo os botecos. Gosto de frequentá-los, pois aí posso comer sem má consciência. Eles se encontram em todo mundo, também nas comunidades pobres nas quais, por anos, trabalhei. Aí se vive uma real democracia: o boteco, ou o pé-sujo (o boteco de pessoas com menos poder aquisitivo), acolhe todo mundo. Pode-se encontrar lá tomando seu chope um professor universitário ao lado de um peão da construção civil, um ator de teatro na mesa com um malandro, até com um bêbado tomando seu traguinho. É só chegar, ir sentando e logo gritar: “Me traga um chope estupidamente gelado”.

O boteco é mais que seu visual, com azulejos de cores fortes, com o santo protetor na parede, geralmente um Santo Antônio com o Menino Jesus, o símbolo do time de estimação e as propagandas coloridas de bebidas. O boteco é um estado de espírito, o lugar de encontro com os amigos e os vizinhos, da conversa fiada, da discussão sobre o último jogo de futebol, dos comentários da novela preferida, da crítica aos políticos e dos palavrões bem merecidos contra os corruptos. Todos logo se enturmam num espírito comunitário em estado nascente. Aqui ninguém é rico ou pobre. É simplesmente gente que se expressa como gente, usando a gíria popular. Há muito humor, piadas e bravatas. Às vezes, como em Minas, se improvisa até uma cantoria que alguém acompanha ao violão.

Ninguém repara nas condições gerais do balcão ou das mesinhas. O importante é que o copo esteja bem lavado e sem gordura, senão estraga o colarinho cremoso do chope que deve ter uns três dedos. Ninguém se incomoda com o chão e o estado do banheiro. Os nomes dos botecos são os mais diversos, dependendo da região do país. Pode ser a Adega da Velha, o Bar do Sacha, o boteco do Seo Gomes, o Bar do Giba, o Botequim do Joia, o Pavão Azul, a Confraria do Bode Cheiroso, a Casa Cheia e outros. Belo Horizonte é a cidade que mais botecos possui, realizando até, cada ano, um concurso da melhor comida de boteco.

Os pratos também são variados, geralmente, elaborados a partir de receitas caseiras e regionais: a carne de sol do Nordeste, a carne de porco e o tutu de Minas. Os nomes são ingeniosos: “mexidoido chapado”, “porconóbis de sabugosa”, “costela de Adão” (costelinha de porco com mandioca), “torresminho de barriga”. Há um prato que aprecio sobremaneira, oferecido no Mercado Central de Belo Horizonte e que foi premiado num dos concursos: “bife de fígado acebolado com jiló”. Se depender de mim, este prato deverá constar no menu do banquete do Reino dos Céus que o Pai celeste vai oferecer aos bem-aventurados.

Se bem repararmos, o boteco desempenha uma função cidadã: dá aos frequentadores, especialmente aos mais assíduos, o sentimento de pertença à cidade ou ao bairro. Não havendo outros lugares de entretenimento e de lazer, permite que as pessoas se encontrem, esqueçam seu status social e vivam uma igualdade, geralmente, negada no cotidiano.

Para mim, o boteco é uma metáfora da comensalidade sonhada por Jesus, lugar onde todos podem sentar à mesa e celebrar o convívio fraterno e fazer do comer uma comunhão. Para mim, também, é o lugar onde posso comer sem má consciência.

Leonardo Boff - Encaminhado pelo LOURIVAL.


28/09/2011

Ensinamentos do churrasquinho



1. Dinheiro não traz a felicidade, mas é mais confortável chorar num Mercedes que numa bicicleta.
 
2. Perdoa o teu inimigo, mas nunca te esqueças do nome desse ordinário.
 
3. Muitas pessoas estão vivas apenas porque matá-las dá cadeia.
4. O álcool não resolve problemas, mas a água também não.

JB.

14/09/2011

As raizes na marquise

Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue
Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal
Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios Estou ligada num futuro blue
Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero Eu te quero mal
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos

http://toptvz.com.br/insensato-coracao-trilha-sonora-da-novela/20-anos-blues-elis-regina

JB.

30/08/2011

Téti - Curta Metragem

A Naiara Scaramussa descobriu uma canção:

TÉTI - "CURTA METRAGEM" (Rodger e Dedé) - do LP
"Meu Corpo, Minha Embalagem, Todo Gasto Na Viagem" - Ednardo e o Pessoal do Ceará (1973)

Embaixo das marquises
Nem tristes nem felizes
Olhando, olhando a chuva cair
Não há nada pra ser feito
Está tudo, tudo tão direito
A noite vem chegando
Um ônibus parando
A vida, a vida é mesmo normal
Será que ninguém sabe
Aquilo, aquilo que não cabe
Nas folhas, nas folhas, nas folhas de jornal
Nas folhas, nas folhas, nas folhas de jornal
Primeiro uma atitude
Segundo algo que mude
Terceiro ação, ação de mudar
Porém nada acontece
Um táxi, um táxi aparece
Melhor, bem melhor
Melhor se desculpar

EMERSON APRILE

24/08/2011

Oração à Nossa Senhora das Marquises

Dentro do projeto do Plano Piloto de Brasília, elaborado por Lúcio Costa em 1957, havia uma área destinada à Catedral da cidade, localizada na Esplanada, "numa praça autônoma disposta lateralmente, não só por questão de protocolo, uma vez que a Igreja é separada do Estado, como por uma questão de escala, tendo-se em vista valorizar o monumento, e ainda, principalmente, por outra razão de ordem arquitetônica: a perspectiva de conjunto da esplanada deve prosseguir desimpedida até além da plataforma onde os dois eixos urbanísticos se cruzam".

Leigos transeuntes turísticos e historiadores de apressadas observações superficiais (e supérfluas) enxergam apenas a bela Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, situada à Quadra 601 da L2 Sul, como sendo a plena execução dos sonhos e devaneios do arquiteto, urbanista e professor Lúcio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa nesse trecho do seu projeto. Mas observemos melhor, irmãos, a visão profética ampliada do mestre, que tinha como axioma de vida: "não sou capitalista nem socialista, não sou religioso nem ateu"...

Vocês conhecem um lugar onde a Igreja é separada do Estado, e também é separada de todos os preconceitos, onde não se precisa saber onde exatamente cada um trabalha, se é que trabalha, onde arranjou aquele dinheiro pro churrasquinho ou pro 88, quanto deve ainda pro Juca, uma Igreja que, por uma questão de escala, desceu dos céus em forma de monolito, uma fortaleza suspensa sobre a galeria das almas que alimentam o metrô, destinada desde os primórdios a ressuscitar uma praça esquecida no Setor Bancário Sul,autônoma e disposta lateralmente aos eixos, aos pontos de táxi, às paradas do ônibus, às paradas mil, ao Calaf, à Banca do Lourenço, à Casa de São Paulo... Nossa Igreja, senhoras e senhores, valoriza o monumento, abraça sol e lua e estrelas, estações espaciais, artistas, sindicalistas e alienistas. Aqui o carro fica lá fora, a perspectiva de conjunto da esplanada do Cebolão prossegue desimpedida, livre para nossas mesas, cadeiras, nossa sala de congregação, onde alimentamos a nossa fé inabalábel de dias sempre melhores, amanhã e, por que não, hoje à noite, depois do expediente.

Irmanados seguiremos, pois, em nossa procissão protegidos, não só por questão de protocolo, mas por amor àquilo que cremos, à nossa liberdade. Saudemos nossa Catedral Metropolitana de Nossa Senhora das Marquises!

Emerson Aprile.

23/08/2011

Os brutos também amam


Os machos do churrasquinho do bigode não comem mel, mascam a abelha! Ali não tem espaço para frutinhas não, cerveja se bebe é na lata mesmo! Comida é algo apenas para matar a fome, não vem com nojinho não!!! É Suan de porco, é Tatupeba, Tatu-bola, é Gambá-de-orelha-preta (Saruê), Pato, Capivara e Jacaré ou seja, qualquer coisa que arraste a barriga no chão, e não necessariamente nesta ordem!

O macho no bigode não usa palitinho para pegar seus petiscos, é na mão mesmo! Come até roer o osso, e acreditem, quando as beldades aparecem para nos dar o ar da graça, não tem cerimônias não, o primeiro a se servir sempre será o macho alfa, mulheres e crianças primeiro, nem com a terceira trombeta do anjo do apocalipse!!! Sentamos-nos mesmo é na cabeceira da mesa!!!

Quem vai ao bigode realmente deve conhecer os magnânimos que fazem o churrasquinho acontecer, são eles:

Chaguinha! (esse som remete a algo parecido com "mais uma cerveja!"),

Bigode! (significa pendura essa minha conta),

Juca! (Cadê meu churrasquinho de gato!),

Amendoim! (Cadê aquela dose?),

Adelson! (Arruma ai uma mesa pra sentar, caralho!!!)

É... Ali é assim, onde os fracos não têm vez e os brutos também comem feijão, estamos ali por um punhados de dólares, ali somos os homens sem nome e onde o passado não perdoa.


JB.

22/08/2011

AS MEDONHAS!!!!

Ai , hoje acordei com uma saudade da marquise !! Incrível porque ontem sexta-feira me encontrava lá com João ,Raquel Bueno, Emerson, Bigode e todos!!
No inicio bateu um vazio ,alguma coisa estava diferente pensei que fosse eu . Pensei em varias coisas , porem depois de alguns minutos pensando(e não fedeu rsrsrs)descobri que o vazio era a falta do Paulo Henrique Almeida Carvalho..... Pois é,a ultima vez que foi no churrasquinho foi na despedida dele!!Ooo amigo que falta você faz!Sua risada, as palavras sabias,muitas vezes não compreendida pela Raquel kkkkkkkkkkk nem por mim, porem sua paciência e educação de fingir que nem percebeu nossa ignorância ,as piadas enfim tudo faz falta!! Pra te deixar feliz mais com saudades vou te contar como foi ontem!!!

O Joao Batista ontem veio nos ensinar como pegar na mãos de alguém quando vem me cumprimentar!!!Rs, sim... Ele falou que eu não sei , que eu pego e não aperto direito na mão das pessoas kkkkkkkkkkk...Pensando: Poxa eu tenho que pegar e apertar???Ja to fazendo muito de estender a mão,rsrs ele falou que tem que ser forte ,pronto so isso virou motivos pra risadas e muitas piadas ,uma delas foi : ok, João quando alguém vier eu paro aperto a mão e digo só um minutinho, dou uma coçada la pra fingir que tenho saco daí fica tudo certo!!! Pois é; ninguém se conteve ate o Bigode ria da besteira que soltei...Vi Raquel dança quase ate o chão com o Emerson(é o menino que come coisas estranhas ,rsrs COMIDA)..

Muito gente boa!Enfim foi muito bom , brinco dizendo que ali é curativozinho do bigode porque sempre que tenho uma feridinha e vou pra la volto renovada...E fico assim como agora lembrando das besteiras, brincadeiras ,risadas e da falta que você fez e faz!!Mais sei que voltara pelo menos pra visitar .

Ju.


19/08/2011

Bebemos pela Marquise


Existe uma coisa curiosa neste mundo moderno. Estamos em meio a tanta informação que essa quantidade exagerada e sem um controle para adquiri-los, faz com que se crie um ser humano codificado com um tipo de conhecimento digno de ser estúpido.
A grande massa de informações, que vem como tiro por todos os lados dos seus sentidos e, acentuando a isso a grande quantidade de resposta que ele é obrigado a dá, mais um tanto outro de perguntas para suas ações diárias que não se admira, que esse homem não passa de um compilador sem inteligência.
Não há tempo hábil para que esse homem reflita sobre o que ele consome, esse alimento lhe chega a boca e nem chega a ser degustado. Logo ele apenas vomita o que acabou de engolir.
Não há neste mundo homens de verdade? Seres pensantes? Será que todos eles se esconderam em mascaras e atrás da gaia ciência aplicada? Onde podemos encontrar os filósofos de outrora? Viveremos décadas diante deste silencio intelectual? Acredito que eles estarão embebedando-se na Marquise em busca da antiga metafísica, ou transformando-se nela em algum tipo e poeta à margem da sociedade! Estamos no vácuo, pois em ambos os casos, quase que com a certeza universal, não mais existe espaço neste mundo para tais seres humanos.

JB.

17/08/2011

A paz dos inquietos





Eles vivem em eterna tensão, para o bem ou para o mal; só não podem é ficar parados. Os caminhos que escolhem são sempre os mais difíceis.
É A INQUIETAÇÃO; ou você nasce com ela ou não, e se nasceu, vai passar a vida inteira com uma pressão no peito e outra na alma, querendo entender e não entendendo, trocando de casa, de objetivo, de marido e de analista, sem chegar, nunca, a uma conclusão.
Um inquieto não tem sossego: se é pobre, gostaria de ser rico, se é rico, acha que o dinheiro atrapalha e que talvez fosse mais feliz se morasse numa pequena cabana.
Se é inverno, ele se lembra com saudades do verão, mas se está debaixo do mais lindo sol, pensa em como seria bom se estivesse em Gramado no inverno, de botas, tomando um chocolate quente.
Não é que ele queira sempre o que não tem; apenas não consegue viver o momento presente - não em paz. Ou está lembrando do passado ou pensando em como vai ser bom quando o futuro chegar. É duro fazer parte da tribo dos inquietos. Com eles não há risco de monotonia; acordam te sufocando com beijos e abraços ou na mais fria das indiferenças, e o pior: sem saber o porquê.
No meio do dia podem telefonar como a mais dócil das criaturas, sem conseguir explicar por que foram tão insuportáveis horas antes. Nem explicar, nem entender. É dura a vida dos que vivem perto de um inquieto. Mesmo quando está tudo bem -o amor perfeito e o trabalho legal, alguma coisa atrapalha: é a tranqüilidade. Como é possível alguém viver em paz e em harmonia com as pessoas e com o mundo? Difícil de responder. Difícil, a vida dos inquietos, e ninguém imaginaria o quanto essas pessoas tão vitais - porque vitalidade é o que não lhes falta - sofrem, mas que ninguém confunda sofrimento com infelicidade.
Nada a ver. Para eles nunca há paz; há momentos de intensa e fugaz felicidade, mas paz, nunca. O grande momento dos inquietos é quando eles começam a planejar uma mudança de vida, seja essa mudança quebrar uma parede, mudar de profissão ou de país.
Eles vivem em eterna tensão, para o bem ou para o mal; só não podem é ficar parados. Os inquietos não se conformam com nada que se pareça com a estabilidade, e por isso os caminhos que escolhem, sejam eles quais forem, são sempre os mais difíceis. Os inquietos não sabem viver sem uma complicação, e a luta para eles é sempre melhor que a vitória.
Eles não compram, jamais, uma casa de campo pronta, mas um terreno; levam dois anos para construí-la e mais dois fazendo o jardim, decorando etc. No dia em que ela fica pronta, as flores crescidas, ele sente um grande vazio - que só se resolve quando encontra um comprador.
É que assim eles passam a maior parte da vida, com algumas pausas para refletir por que são assim e como poderiam se aquietar, para serem mais felizes; para encontrar uma certa paz, talvez - só que não conseguem.
Mas um dia eles compreendem que essas pausas foram tempo perdido e teria sido mais simples se tivessem reconhecido, há muito mais tempo, que com eles não há nada a fazer, e que é impossível mudar.
E é melhor que não saibam nunca: se souberem, terão, de uma certa maneira, encontrado a tal da paz - o que para eles pode ser fatal.

Fonte: http://entrelacos.blogger.com.br/ - Autor Danuza

 
Post: JB

16/08/2011

Lições do Churrasquinho do Bigode

1) Acima de tudo, evite falar de si mesmo.
2) É melhor recusar um favor com classe do que garanti-lo vergonhosamente.
3) Olhos e ouvidos abertos, e boca quase sempre fechada.
4) Piadas ruins e risada alta fazem você parecer um bufão.
5) Nunca pareça mais sábio e mais inteligente do que as pessoas que estão a ser redor.
6) Não admire nada exageradamente.
7) Faça apenas uma coisa por vez.
8) A paciência é o único meio de fazer que as coisas ruins não piorem.
9) Seja sério, mas não enfadonho.
10) Fale com frequência, mas jamais longamente.

JB.

25/07/2011

ELA É PURO ÊXTASE


O happy hour com os amigos, num papo agradável, sob a Marquise sempre foi muito bom! As piadas inteligentes, que por vezes custei a entender. As descrições minuciosas das regras e tabelas dos inúmeros campeonatos de futebol. As teorias infindáveis sobre qual o perfil do consumidor de cada marca de cerveja. Os apelidos dados aos poucos bichos que rondam o lugar. E os mais variados cardápios da culinária brasileira servidos como prato do dia! Tudo fazia do Churrasquinho do Bigode um lugar quase perfeito.

Apenas uma coisa incomodava, pelo menos a mim, mulher. A falta de um banheiro!

Quantas vezes atravessei aquela praça, seja para o Banco do Brasil, seja para o buteco lá do outro prédio, para implorar o uso do banheiro!

Resisti bravamente, aguardando ansiosa a inauguração do “sanitário” que a administração construiu e que ninguém havia utilizado. Imaginava como seria o dia em que veria aquela porta destrancada!

E finalmente esse dia chegou! Ontem pude me deliciar de todos os prazeres que a Marquise nos proporciona, incluindo, o banheiro!

Confesso que foi um momento extasiante! Agora sim o Churrasquinho do Bigode é um lugar perfeito!


Raquel.

06/07/2011

Diário de “Borda”

Porto Alegre, 06 de julho de 2011.
Relato 1.

Inverno. Hoje, como ontem, o dia recebeu-me com 0ºC. E anteontem, com 2ºC. E no dia anterior, com 4ºC. Confesso que estava um tanto desacostumado. Diminuí meus exercícios matutinos para apenas 1.500 metros na piscina descoberta, além da corrida e da bicicleta, é claro. Inda bem que há sol, mesmo que o poder do astro maior esteja mitigado. Penso nos companheiros da Marquise e em suas reações. Minha expedição segue.

Aqui, os nativos se abrigam e se escondem em blusões e em botas altas e em espessas mantas e em pesados casacos e em ponchos e em capas e em luvas variadas e em chapéus e em gorros e em toucas e em boinas. É tanta roupa que, por vezes, vê-se tão-somente formas passando na rua. Que penso: “Lá embaixo haverá alguém.” E as crianças, coitadas, tão “entrouxadas” que se movem como robozinhos. Entretanto, há uma graça nisso tudo. E um charme, claro. O vinho, por exemplo, bebida de reputação tão ilibada, torna-se ainda mais imprescindível, reiterando a sua e a nossa nobreza. Um aquecimento da beleza. Nisso, nada posso reclamar.

Os aldeões fabricam os melhores exemplares do álcool de uva do país. Então, ponho-me a beber. Para, por assim dizer, “me enturmar” e ser feliz. E tenho tido sucesso no intento. Até agora, pelo menos. Bebo bem. E tenho amigos, também. E sou profissional. Tudo pela solidariedade e pela confraternização. E, dizem, o vinho é bom para o coração. Ah, os eflúvios...

Outro traço marcante nos autóctones é o arraigado hábito da cerveja gelada ao relento. Mesmo nestes inóspitos tempos. Os bares ao longo das vias sediam esses eventos. Estranha-se um pouco no início, por certo, mas após algumas garrafas, está-se “em casa”. E “bem certo”, em outra expressão local. E o normal é mais e mais sorver o suco de cevada que, por aqui, guarda uma especial assim batizada: Polar. Não sei se homenageia a aconchegante atmosfera do lugar, mas é uma bira “mui buena”, como eles dizem, de se tomar. E já que não sou de fazer feio e é preciso “me enturmar”, bebo. E assim descrevo este meu vagar. E tanto, que ponho-me a considerar: “Como seria que os bravos & heróicos convivas da Marquise se comportariam nesta terra onde impera um veloz e gélido vento no ar?”


E, de igual forma, também notabilizam-se os aborígenes sulistas, mais precisamente os Gaúchos, pelo extremado gosto por carne. Já desfrutei de algumas edições desse seu peculiar ritual desde que por aqui aportei. Chamam-no Churrasco. Nos que fui, os animais abatidos são preparados em estruturas de pedra nominadas churrasqueiras. Uma espécie bem mais precária da sofisticada Nouvelle Cuisine do Churrasquinho do Valdeco (ou Valdeci ou Bigode). Eles ainda têm muito o que aprender, mas o que fazer? Talvez um dia o Valdeco aporte por aqui e derrame-lhes o seu douto saber. Porém, até lá sigo eu a escrever sobre estas minhas explorações, pois “Navegar é preciso, viver não é preciso”...

PH

17/06/2011

o Rato Zé.



"afinal, você é um homem ou um rato?" - encaminhado pelo Emerson. Mais uma homenagem ao velho e cansado Zé! (O Rato!).

Ode aos ratos
(Chico Buarque/Edu Lobo)

Rato de rua
Irrequieta criatura
Tribo em frenética proliferação
Lúbrico, libidinoso transeunte
Boca de estômago
Atrás do seu quinhão
Vão aos magotes
A dar com um pau
Levando o terror
Do parking ao living
Do shopping center ao léu
Do cano de esgoto
Pro topo do arranha-céu

Rato de rua
Aborígene do lodo
Fuça gelada
Couraça de sabão
Quase risonho
Profanador de tumba
Sobrevivente
À chacina e à lei do cão
Saqueador da metrópole
Tenaz roedor
De toda esperança
Estuporador da ilusão
Ó meu semelhante
Filho de Deus, meu irmão
Rato

Rato que rói a roupa
Que rói a rapa do rei do morro
Que rói a roda do carro
Que rói o carro, que rói o ferro
Que rói o barro, rói o morro
Rato que rói o rato
Ra-rato, ra-rato
Roto que ri do roto
Que rói o farrapo
Do esfarra-rapado
Que mete a ripa, arranca rabo
Rato ruim

Rato que rói a rosa
Rói o riso da moça
E ruma rua arriba
Em sua rota de rato

o Zé.



Encaminhado pelo Emerson, em homenagem a esse ente, frequentador diário do churrasquinho do bigode, o Zé!

14/06/2011

O Adeus do Poeta




O velho poeta PH está indo desta para melhor!!!
Sim, é verdade, no dia 25, o velho companheiro da marquise, pegará seus panos de bunda e zarpará para aquele incompreendido mundo dos farroupilhas.
Esperamos que ele continue em contato, como um "Correspondente" em terras longínquas.
Ficará o velho Samba na mesa do churrasquinho do bigode, e acredito que todos vão se lembrar deste “menino sapeca levado da breca” que um dia passou por essa savana brasileira.

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim




Diretoria.

13/05/2011

Não é o lugar e sim as pessoas

Sempre falei pra Flor branca (Quel) que o que importa não é o lugar e sim as pessoas!

E está na Marquise é isso! Literalmente o lugar não tem um banheiro, (risos) mais quem liga pra banheiro onde se encontra pessoas que só acrescentam em nossas vidas?
Ali, nas poucas vezes que fui muito me diverti, mesmo em momentos onde a dor estava alojada dentro de mim, onde a falta da minha vó se fazia presente ou quando havia a dor, até mesmo, de um braço fraturado. Nada impediu que eu soltasse uma risada.

Lá pude ver com plenitude o que eu e Raquel somos, cantando a plenos pulmões a "Infinita high way"; ver a Quel dançar descalça em possas de cerveja; sentar perto do João (JB) e ouvir coisas engraçadas e coisas que nos fazem pensar. Ver o Marcelo sério, mas sentir que o mesmo tem uma serenidade e um amor pelas filhas que nunca vi coisa igual. Lá, onde aprendo palavras difíceis que me fazem chegar em casa e procurar no dicionário o significado. PH sábio, sempre tem alguma coisa boa pra falar e elevar a nossa estima, apaixonado por música e pela sua amada que é sempre citada por todos.

Ali, além da simplicidade do bigode e todos, um belo e gostoso churrasquinho é servido com aquela cerveja gelada, temos também o ligador Pablo que pouco converso mais que sempre está por lá hora falando no celular, hora com todos.
Uma grande mistura do que é a vida, simplicidade, amizade, alegria, música, este é o churrasquinho do bigode!

É na parada de ônibus, um lugar onde muitos passam mais poucos percebem o quanto aquele lugar e aquelas pessoas têm a oferecer.
Só tenho que agradecer a oportunidade de poder participar do lugar e das pessoas...

Obs: Baratas?? Ahh o Marcelo nos ajuda sempre, e o Zé (óóó Zé) seja sempre bem vindo porque ali percebi que não há quem não possa ficar pra ser feliz mais uma noite.

Juliana. (Jully)

29/04/2011

Por uma ilusão à toa

(aos Caíque, JB e Emerson)

E porque estivéssemos por ali, quietos e calados, os copos com cerveja em diferentes níveis, refundamos o tempo. Não éramos tantos, nem metade da habitual turma, mas um bom extrato dos que em outras ocasiões preenchiam aquele pequeno pedaço de mundo em busca da criação de novas mitologias, perseguindo os sonhos dispersos que à noite saem em manada, distraídos, para ornar os espaços protegidos pela escuridão. Assim, possuíamos o nosso tempo, uma cunha no maior, realidade imposta pelos desejos que vibravam em uníssono. Um gole aqui, mais um acolá e a memória dos acontecimentos.

Dentro em pouco, alcançaríamos o estágio das emanações. Até lá, entretanto, diversos assuntos se impunham. Filosoficamente, não rechaçávamos nenhum em nenhuma abordagem, apenas que todas, por dever do destino, regadas ao fugaz e gelado líquido alcoólico.
E a única certeza de que dispúnhamos, de que a vida é isso mesmo, um pedaço colado ao outro, uma colcha de retalhos, de episódios, de sucessões que nem sempre guiamos. Então, estar ali era, tão-somente, tomarmos nossa cavalgadura à unha, domarmos o monstro ancestral do cotidiano, infundirmos lirismo e inocência ao que em redor, não raro, era infeliz indecência. E sequer sabíamos disso tudo. Éramos, de fato, a cada noite, a cada incursão, a cada aventura, neófitos, incautos, estrangeiros. E isso, porque a vida está em constante e irrefreável inauguração.
Libertos e libertários (alguns, inclusive, libertinos), esse o nosso estado, a nossa empunhadura. Uma ordem dentro da insana desordem. Uma sincera manifestação diante dos que só crêem no que tocam com as mãos. Nós estávamos além. E não por mal ou por bem. Apenas, por vocação e, concedamos, alguma provocação. Afinal, esse o nosso charme e o nosso álibi. E, adiante, a fronteira.

E, se tudo é ilusão, quem somos nós para desautorizar o coração?

28/04/11

PH

27/04/2011

Glossário da Marquise

Pequeno dicionário de palavras ditas e faladas no churrasquinho do Bigode, para quem deseja freqüentar sem passar vergonha! Fique atento para o que se fala por ali.

BRASíLIA - (apelidada de Disney brasileira), vulgo BSB, é a maior cidade do interior de Goiás. Ela está localizada na Fazenda Distrito Federal de propriedade da família Roriz-cida. Foi construída durante o governo de Juscelino Kubitschek, presidente com quem todos os atuais presidentes querem se comparar, na tentativa de chegar perto de um mineiro safado que conseguiu fazer a maior obra superfaturada da história e ainda ser reconhecido como "estadista". Brasília, também conhecida pelos locais como "BRASILA" ou "BrasÓlia" (caixa alta sic), e assinada nos cheques como BSB, também é muito conhecida como o maior presídio de segurança mínima do Brasil. É lá que a cada 4 anos, cidadãos de todo o pais escolhem os ladrões mais perigosos dos seus estados para ficarem presos ( presos? ). Brasília é o lugar em que se paga caro por tudo: uma lata de cerveja nos bares mais pé-de-chinelo ou em churrasquinhos de gatos, custa em torno de R$ 3,00, a R$ 3,50 enquanto em outros lugares custa R$ 2,00 no máximo.

CHURRASQUINHO DE GATO - O churrasco de gato (também conhecido por "Churrasgato de filé minhau") foi criado por Pedro Américo, quando do grito da independência do Brasil. Percebendo o movimento próximo ao riacho Ipiranga e a chegada do futuro imperador, aproveitou a data festiva para ganhar uns trocados. Esta atividade continua em franca expansão nas décadas seguintes, principalmente depois da criação dos vários estádios de futebol paulistas onde a iguaria é servida até hoje em dias de jogos (os chamados no paulistanês de clássico) , além claro, de está presente no churrasquinho do bigode, e sendo tratado como uma iguaria.
No final do século XX o churrasco de gato tomou conta das carrocinhas dispostas com total irregularidade nas calçadas de avenidas, marquises e ruas de Brasília até se tornar produto de exportação, sendo muito apreciado na América pelos yuppies que, desejando fazer uma refeição mais consistente que o cachorro quente deles, adotaram o barbecue cat como prato rápido.

CERVEJA - A cerveja foi inventada, como podem comprovar historiadores escandinavos e alemães em estudo científico publicado na revista "My Beer My World" (ed. 768, ano 1985), pelas mulheres feias. O estudo do historiador e pesquisador PhD em História Alcoólica, Homer Simpson, comprova que em meados dos anos 30 a.C., algumas camponesas excluídas pela sociedade local na região da Bavária, se reuniam nos campos de colheita de cevada, onde trabalhavam diariamente para seus homens - que gastavam suas noites nos bordéis.
Elas se organizaram - primórdio do pensamento feminista - e confabularam para achar uma maneira de se sentirem menos mal-amadas. Foi aí que elas, durante várias reuniões gastronômicas - e desastrosas, por sinal - acabaram descobrindo, acidentalmente, a técnica da fermentação da cevada, quando um tonel do suco fermentou (elas estavam mais preocupadas em discutir sobre quem ia vigiar a mistura). Depois dessa descoberta elas foram se aperfeiçoando e descobriram, enfim, que essa receita tinha um efeito sobrenatural em seres humanos, principalmente nos homens.

BANCO CENTRAL - Banco Central é uma das milhões de instituições do Governo Federal e tem como objetivo fazer o Brasil ficar cada vez mais pobre. Seus diretores e seu presidente fazem o Brasil cada dia que passa crescer menos aumentando o juros ;empobrecendo o povo brasileiro e enricando os bancos cada vez mais!!! o BC fez o pacto com a China e os EUA com o objetivo de fazer o brasil nunca sair do lugar e continuar nessa pobreza.
Voce é gay por causa do BC!! Veja por que:
• Com os juros cada vez mais altos, o Brasil não cresce e você não arruma emprego.
• Sem emprego você não tem dinheiro!!
• Sem dinheiro você nao pega mulher nenhuma!!
• Sem mulher você acaba dando o seu botão para não ficar sem transar.

FILOSOFIA - Filosofia é palavra de origem grega formada por duas outras palavras que remetem a um significado cabra omi. Os filósofos ainda discutem para descobrir qual seria esse significado - mas não decidiram ainda. Filosofar é sinônimo de questionar. Um filósofo consegue fazer mais perguntas que o Zequinha do Castelo Rá-tim-bum. Questionar faz do ser humano mais humano e menos animal. (Logo, o torna ainda pior do que ele já é.) Há quem diga que deixando de lado -ou de frente- seu lado animal o homem se torna filósofo e começa a pensar. Abandonando assim todos os conceitos carnais, como sexo, emoções, sexo, medo, sexo, raiva, sexo, desejo, sexo... Eu já falei sexo?

APOSENTADO - Aposentado é toda pessoa que trabalhou durante sua vida , para de trabalhar na terceira idade exige do INSS uma aposentadoria. Geralmente eles não tem mais o que fazer já que estão no fim da vida ,e gastam seu dinheiro em remédios e coisas extras.Chuck Norris nunca se aposentará , pois ele nunca fica velho. Isso vale também para Lourival e Sr. Caique.

MUSICA - Música é uma combinação de barulhinhos chatos que você gosta de ouvir, e às vezes paga para ouvir. Assim como seu pai, sua mãe - quando pensam que são jovens -, você e muitas outras pessoas gostam quando este maldito barulho fica no último volume de um rádio com umas 97583452 caixas de som só para fazerem o que eles chamam de rave, no popular, cabaré, e serem presos depois por incomodar a vizinhança.

KOMBI - Kombi é um dos veículos mais poderosos e belos que existem no universo, fabricado pela Volkswagen que serve para tudo o que você possa imaginar, desde fumar umazinha com os colegas na frente de uma delegacia a viajar pelo universo escutando Bob Marley. Criada originalmente para transportar material de guerra para a Alemanha nazista, mas ela provou ser uma fenomenal maquina de guerra e era usada junto com Fuscas, ambos os veiculos provocavam terror nas tropas aliadas, mas ainda sim os ótarios dos alemães acabaram subtistituindo ambas as maquinas por Mercedes, assim eles perderam a guerra, depois da segunda guerra tanto o EUA quanto à URSS passaram a disputar por sua tecnologia muito superior, ela passou a servir para fins civis e foi adotada por militares de outros países e Hippies maconheiros. Uma das utilizações mais conhecida é o transporte de cervejas, churrascos, cadeiras, mesas, e um tanto de Jucas e Amendoins, que fazem acontecer o churrasquinho do bigode.Pode ser utilizada também como Transporte escolar do "Tio Nelson",que não tem dinheiro pra comprar uma Kia Besta ou uma Sprinter.

MULHER - A mulher é a fêmea da espécie Homo sapiens. Sua primeira representante na Terra foi Eva. Existe outra corrente de biólogos que considera Dercy Gonçalves como sendo a primeira mulher (se for considerada como tal) da face da Terra. Testes com Carbono 14 estão sendo feitos para confirmar tal fato. Pedro já havia falado sobre essa espécie em ascendencia no churrasquinho do Bigode. Por enquanto entendemos ISS como um ser extraterreno do qual, não se pode confiar.

RATO ZÉ - Os Ratos são criaturas mitológicas lendárias que servem de guardiões e mestres para nosso mundo desde o início dos tempos, servindo também como ótimos mestres Ninja para tartarugas em procura de prestação de serviços à comunidade. Outros hobbies desses míticos animais envolvem roer fios, comer queijo, escutar metal, realizar passeatas petistas no Nordeste, espancar emos e skinheads, masturbação coletiva e zoofilia. Os Ratos geralmente vivem em esgotos, bueiros, Galeria dos Estados, lixões, quartos de headbangers e cabelos black power, protegendo a todos nós meros humanos, mas também são frequentadores de night houses, , clubes, botecos (ninguém é de ferro) e principalmente do churrasquinho do bigode.

BANHEIRO - Banheiro é um lugar reservado pra escorregar o moreno, descer a massa e tirar a água do joelho. Banheiros são idolatrados por pessoas de mãos cabeludas e é um local odiado pelo Cascão por ter chuveiro e pia. No churrasquinho do bigode há um banheiro público, imagine ele tendo uma aparência feia, com um diâmetro apertado e fedido, mas só fique no pensamento, pois esse banheiro público já está ali a anos e anos e ninguém sabe como ele é por dentro. Na verdade qualquer lugar dali do churrasquinho do bigode, pode ser um banheiro público basta abaixar as calças e arremessar a massa no chão, este ato fecal é cometido por cavalos,cachorros,mulas e pessoas que freqüentam o local.

CANTORES - Cantor é aquele profissional (sic) inútil cuja única utilidade é torrar os nossos ouvidos e encher o nosso saco. Segundo o Cabeça, se trataria de um puta trabalhador honesto, no entanto, há teorias que contradizem esta afirmação, em especial algumas que dizem que rola o maior Teste do Sofá também no mundo musical.

VIOLÃO - Violão ou Viola é um instrumento que foi descoberto apos a Segunda Guerra Mundial, em meados de 1945, geralmente usados por aqueles seus colegas que roubam todas as minas tocando, e você tenta aprender, mas não consegue. Também usadas por bandas famosas, que acabam com suas economias quando você vai ao seu show, só para velos tocar (você da o troco baixando as músicas deles grátis pelo Lime Wire).

CRACK - Crack é uma droga criada por Sauron,em 22 A.C; sua função original era corromper o coração dos homens e escraviza-los tornando-os Viciados. Depois da queda de Sauron os humanos aprenderam a fabricar o próprio crack e foram felizes para sempre, embora a comunidade cientifica recomende precaução ao utilizar, já que apesar de não ter mais Sauron nenhum a droga ainda corrompe as pessoas.

MENDIGOS - Mendigos, mais conhecidos como Mindingos, Minmin, Hippies ou Grunges. São uma espécie de protozoários derivada da raça humana (Homus pedintun). São caracterizados pela indisposição para qualquer forma de trabalho, sobrevivendo como caçadores-coletores (de esmolas). Morfologicamente apresentam uma ampla gama de fenótipos, no entanto certos traços são comuns a todos os mendigos, como dentição incompleta, manchas marron-enegrecidas sobre a pele ("sujeira"), dons curiosos de poeta, musico ou filósofo e um odor característico expelido por suas poderosas glândulas adanais (i.e.: glândulas próximas ao ânus). Também possuem o dom raro de se tele transportar, parecendo que estão em vários lugares da cidade ao mesmo tempo.

AMIGO - Amigo... todo mundo diz que é amigo. Mas todo amigo é no fundo um puxa-saco interesseiro que com certeza quer alguma coisa sua, seja seu dinheiro, sua mulher, seu perfume, seu emprego ou sei lá o quê. Amigos são aqueles por quem você dá tudo: amor, carinho, atenção, escuta as coisas mais chatas do mundo e eles fingem que se preocupam com você, mas no fundo eles só querem se aproveitar de você, sugar tudo o que podem, cada fraqueza, cada erro e cada problema, e depois quando veem que você já não pode oferecer mais nada eles viram as costas e seguem seus caminhos, procurando uma nova pessoa pra sugarem.

TELEFONE CELULAR - O telefone celular foi inventado em 1888 por acidente, quando Alexis Colombo Cellphünnen Szpakowski tomava banho num de seus banheiros que tinha um fogão. Diz-se que ele estava com pressa nesse dia e estava fazendo um omelete quando seu prestobarba caiu no omelete e causou curtos-circuitos de 1ª geração. O nome celular está relacionado com a analogia matemática que Szpakowski fez do ovo com uma célula. Um ovo na verdade é uma célula gigante com núcleo amarelo.
O celular é um dos meios de comunicação mais usados atualmente, pois com ele as pessoas podem se comunicar com as outras a qualquer hora e em qualquer lugar, mesmo quando não tem nada a dizer. Quando vc estiver vendo um pequeno humanóide andando, de lá para cá, e de cá para lá, horas e horas, saiba que ele é apenas mais um usuário deste incrível invento.

CORDEIRO - A ovelha é um animal que anda de quatro e que come, vomita e engole de novo, assim como sua mãe as vacas, bodes, girafas e tantos outros. Foi um dos primeiros animais a ser devorado no churrasquinho como uma iguaria. As ovelhas foram fundamentais para várias civilizações. O sacrifício de ovelhas, além de salvar várias cidades da destruição por parte de deuses esquisitos com nomes complicados, também eram um esporte violento apreciado por inúmeras camadas da população, antes do surgimento do Counter-Strike.

BÊBADO - O Bêbadu é algúém qui por determinazão djivina ô própria dji zua confuzão mental acaba ze utilizanu du uzu dji bebidaz alcoólicaz poucu rrrecomendadaz para ezquecê fruztrazõez zesshhhuaiz i zuzu qui acontece à zua volta.
Geralmentsshhhi uma pezoa bacana (ic!) com um bom grau dji inztruzão i bom convívio sssozial. Bêbaduz zão pezoaz legaiz qui nunca torrrram u zacu dji ninguém i nunca cauzam nenhum tipu dji djiztúrbio na sssoziedadji (ic!) ô pelu menuz é u qui elez penzam a rrrezpeitsshhhu dji zi mezmuz.
Podji cê u cabra maiz homi du mund igual u meztre Jeremiaz (ic!) maz ao mezmu tempu u quartsshhhu maiz gay (zó perdji para Clodovil (ic!) oz zão-paulinuz i oz emuz) (ic!) comu u cara qui jogô trucu valenu u toba.


Leve adaptações de vários textos de origem na internet.

JB.

18/04/2011

A sensação incrível



Taí, essa vai para aquela corrente ideológica que menospreza a cultura barlesca, dizendo ser um antro da perdição e de pessoas desocupadas e desassistidas pelo sistema. Quando na realidade, quando bem utilizado é um pólo catalisador de culturas. E ócio criativo. Pois sim, manutenção do cérebro é isso. Você dedica 40 horas da sua semana em tons formais, procedimentos técnicos ou simplesmente mantendo a postura. Alguma hora do dia precisa falar alguma besteira. Pois então, a cada oito horas vividas no ambiente familiar da segunda casa, talvez você tira uma hora de almoço, totalizando nove horas/dia. Se você é como a maioria e duas horas de almoço, dá se dez horas por dia. Vamos na pior das hipóteses, dez. Ok, 10 menos 24 é igual a menos 14. Multiplica por mais um e vira 14 positivo. Esse é o cerne da discussão, você desgasta sua mente, imagem, saúde e juventude nessas dez horas diárias e lhe restam 14 para manutenção do cérebro. Seu caminho até a sua casa é tortuoso e você tem pavor de trânsito.

Porque não janta uma pururuca no Chaguinha. Ali jazem skatistas. Foram identificados três tocadores de violão com estilos distintos: samba raiz, brega e rock. Toda a sorte de manifestação grevista, extintos shows no cebolão, show de reggae em época de eleição tiveram como base aquele espetinho. A categoria é unida, porém ainda não conseguiu organizar o show para inauguração do banheiro público. Diante daquela fumaça que sai dos carvões vários atores sociais ascendem. Há aquela figura daquela mulher chorando. Diante de uma maioria engravatada, perfumam o ambiente esquerdinhas, sábios aposentados, criaturas que saem e voltam da noite famintas por um churrasquinho, professor de filosofia, motociclistas, colecionadores de figurinha, e a cíclica renovação de pedintes.

Quem acompanhou os mais de dez anos de casa assistiu com privilégio a transição da merla pro crack. Viu ex-empresário, pré-carnaval, Rei Momo e garotas do emprego mais antigo do mundo. A cultura floresce democraticamente neste espaço. Há nichos de papos diferentes. Esta civilização a parte apresenta rica culinária (incluído no aspecto cultural). Os nomes das peças servidas vão de A a Z, servidos no caldo ou na farofa. Com ou sem pimenta. Esse amálgama gera conhecimentos básicos indispensáveis para o entendimento de qualquer ramo do saber humano. Catorze ou quatorze são poucas as biritas servidas naquele lugar.

PEDRO

13/04/2011

O homem mau

Eu penso alguns instantes em algumas besteiras, mas só alguns instantes, logo volto ao normal. Fui intimado a responder a seguinte questão no churrasquinho do bigode. - JB, o que filosoficamente você acha do louco Wellington Meneses, que matou várias crianças la em Realengo no RJ. Em um primeiro instante relutei em responder. Minha cerveja estava cheia, era a primeira daquela terça-feira. Achei injusto fazerem tal pergunta, e sei que minha resposta não seria construida ou entendida por uma frase feita, então, fiquei de responde no blog. O assassinato que ocorreu na escola, no Realengo, remete a seguinte questão. O homem é um ser bom por natureza, ou ele é um ser mau por natureza. Bom, se o homem é bom por natureza (digo natureza, buscando visualizar o homem em um estado sem amarras da civilidação e da sociedade, onde viveria sem um contrato social), alguma coisa faz com que ele se torne mau perante o outro. Foi a civilização em que vive, a sociedade que lhe impos outros critérios de valores que não são os dele por natureza, transformando esse homem em algo codificado. Sendo assim, o assassinato no Realengo, fica justificado. O individuo matou tantas crianças, porque a sociedade, a civilização, esse contrato social do qual ele está inserido, o torna ruim, tira da sua natureza os seus principios mais básicos. Seria então o contrato social que transformou o bom homem, em alguém mau. Se o homem é mau por natureza (entenda o mau aqui, sendo ele mesquinho, egoista, individualista, que busca tirar proveito do outro, em beneficio próprio), alguma coisa então deve fazer com que ele segure esse instinto, tornando-o docil, sociavel, amável e civilizado. O assassinato em Realengo então nada mais é, do que a manifestação do seu lado mais instintivo, e que vai contra a ordem estabelecida que é do contrato social. Entenda como “contrato social” aquilo que faz parte de uma teoria que busca entre outras coisa, explicar uma ordem social, um acordo entre membros de uma mesma sociedade, fazendo com que o homem se prive de alguns direitos e liberdade, para que ganhe outras vantagens diante desta ordem social estabelecida, ou seja, eu não gostaria que meu vizinho roubasse minha casa, mesmo que eu tenha essa vontade de rouba-lo em algum momento. Deixando então que esse direito e liberdade sejam gerenciados ou por um governo ou por uma autoridade. Na realidade essas são duas teorias que falam da mesma coisa. O homem está inserido em um acordo, em um contrato social. Mas o que a teoria distingue uma da outra é quanto a posição da natureza deste homem diante dele. Thomas Robbes, em seu livro chamado Leviatã, dita sua frase mais conhecida, homo homini lupus, “o homem é o lobo do homem”, e que ele vivem em “uma guerra de todos contra todos”. Diz que com o contrato social uma vez estabelecido o homem se castra, fica inibido, lhe é proibido manifestar esse seu instinto mau e cruel. Jean J. Rousseau, acreditava que o homem é bom por natureza, foi a ideia de sociedade, de civilização que o transformou em alguém egoista, mesquinho, cruel, principalmente quando ele adquire a ideia de propriedade privada, surgindo dai uma desigualdade social. O contrato social seria o que torna o homema mau. Nelson Rodrigues tem um filme, onde é citada a frase “O mineiro só é solidário no câncer”, corroborando com a ideia de Robbes, onde o homem é por natureza mau, e se em algum momento ele é solidário, só o será diante de uma desgraça. O escritor Dostoieviski, na frase “se Deus não existe, tudo é permitido.”, faz uma clara alusão de que se não houver uma autoridade frente ao homem, ele será mau. Qualquer violência onde tenha como vítima uma criança, sempre tem um apelo emocional muito grande nas pessoas, talvez pela condição de indefesa, de inocencia, e isso acarreta em muito o julgamento de qualquer um que venha cometer um crime contra elas. Em alguns momentos, mas só em alguns momentos, utilizando principio da navalha de ockham, (ou a lei da parcimonia), penso que o homem é bom, ele é camarada, ele é piedoso em seu estado de natureza, o sistema, o estabelecido, essa estado social, essa civilização, o meio é que transforma e denigre a sua boa essencia. Existem seres dos quais não conseguem se adaptar a esse estabelecido, a essa comunhão social. Mas penso isso só em alguns instantes. Logo volto ao normal. JB.

Massacre no Realengo escancara várias lacunas

Após o massacre no Realengo, muito têm se questionado sobre por qual razão e qual é o problema que Wellington Menezes de Oliveira para realizar aquele ato inominável. Problemas mentais ficam a parte do exame criminológico. Independente do diagnóstico psiquiátrico, ele pode ser considerado como um suicida midiático. Semelhante as intenções de Mateus da Costa Meira, mais conhecido por "O Atirador do Cinema", ou "O Atirador do Shopping", que com uma metralhadora portátil disparou conta uma plateia de um cinema em São Paulo em 1999. E semelhante também aos homens bombas, provavel inspiração de Welligton. Ele, como uma triste parcela da humanidade, ceifa a própria vida. Porém, infelizmente ele o fez causando comoção internacional. Agora, diante dos poucos fatos apresentados até agora, será que sua intenção era aparecer? Ser e ser visto? É fácil pensar assim de alguém que viveu a vida inteira na sombra. Dentro de sua mentalidade, talvez, ele tentou fazer um protesto contra o bullying (violência escolar). Alguém possa querer taxar ele como “coitado é doidinho”. Mas creio que no caso de Wellington foi mesmo o espetáculo midiático visto e inspirado no 11 de setembro. Mas tentar classificar Wellington é apenas a ponta do iceberg. Agora esse trágico fato ocorrido em uma escola brasileira deve ser discutido com exaustão e são necessárias mudanças políticas e na conduta da sociedade. No caso dele, todos os fatores devem ser levados em consideração. Ele, até o que foi dito tinha uma mãe esquizofrênica, fazia uso de medicamentos, e era massacrado mentalmente na escola. Ele não foi o único do mundo e nem será o último. Porém a escola é responsável pela integridade física e mental de seus alunos. Não pode deixar ao ponto de deixar alguém ser arremessado na lata de lixo. Foi dito que além do combate ao bullying deve haver preparo por parte dos educadores para identificar potenciais mentes agressivas e deve haver por parte do governo federal, estadual e municipal programas sociais para tratar de causadores e vítimas de violências. Sobre a segurança das escolas contra agentes externos, é da doutrina da educação brasileira não isolar as escolas, por considerar uma escola com livre trânsito de a comunidade ser mais segura. Assim como transparece que esta chacina não havia como ser impedida. Depois dos tiros em Columbine, todas as escolas estadunidenses instalaram detectores de metais em suas entradas. Seria essa uma solução para o Brasil? Há inúmeros exemplos de alunos entrarem armados contra o fato de a revista pessoal possa ser interpretada como uma forma de violência. Neste debate não me atrevo a adentrar e nem tenho propriedade para falar sobre o Batalhão Escolar da Polícia Militar.

Outra questão mal resolvida é o desarmamento. É fato que Wellington poderia fazer um massacre com um facão. Mas também é fato que a indústria bélica age como qualquer outra pelo lucro em detrimento a qualquer outra coisa, e tira sua culpa quando ocorrem fatos como esse. Também é fato que a maioria dos homicídios ocorridos no Brasil são praticados por armas de fogo (registradas E contra aquele argumento que desarmamento irá desarmar os cidadãos de bens e deixar armados os bandidos. Muito dos alvos dos ladrões e dos latrocídas são as armas dos cidadãos de bens, na contramão do mantra “é para a minha segurança pessoal”. E se aquela pessoa se auto-denomina cidadão de bem, porque não limita o posse de sua arma apenas ao ambiente do clube de tiro. È a lei da ressonância: violência atrai violência ou gentileza atrai gentileza. Essa discussão é mais complexa porque no meio rural a realidade é diferente da cidade. Nas fazendas você está isolado e sem tempo hábil para a chegada de um socorro. O que não impede que as mesmas armas (legais e ilegais) sejam utilizadas para cometer crimes hediondos. Ao fim do artigo é difícil chegar a conclusões, mas abre interrogações. Ainda mais diante que o “talvez”, foi o principal advérbio nas narrativas jornalísticas.

Pedro.

05/04/2011

Eu sou um carnaval

Ontem fui comemorar o aniversário de um amigo. Encontrei alguns outros amigos, alguns conhecidos e conheci outros tantos. Mas eu estava ali pelo meu amigo-aniversariante, nada mais. Após horas, quando finalmente pude conversar com o homenageado, como sempre fazemos, buscando alguma poesia e lógica nas coisas da vida. Ele tão corriqueiramente, despretenciosamente, quase como uma observação jocosa, me fala: "Raquel, você é um Carnaval!" Logo em seguida, acredito que pela cara perplexa que eu fiz, percebi a sua preocupação em se explicar. Mas, pasmem, eu compreendi e me senti docemente elogiada! Sem palavras. Observando os lugares em que nos vemos sempre, os breves momentos de conversa, o pouco que sabemos de nossas vidas e, ainda assim, sempre alimentando uma amizade sincera e verdadeira, para mim, ouvir essa frase, foi perfeito! Eu disse a ele que entendi, mas ele arrematou: "Você é a alegria e o colorido!". Muitas vezes tenho dúvidas do que sou e do que represento para quem admiro. Mas tento desenvolver um lado observador, para arrancar das situações as respostas. Ontem fui dar um abraço de aniversário no meu amigo e ganhei um elogio à altura de um desejado presente!!! Obrigada PH.

RAQUEL.