25/07/2011

ELA É PURO ÊXTASE


O happy hour com os amigos, num papo agradável, sob a Marquise sempre foi muito bom! As piadas inteligentes, que por vezes custei a entender. As descrições minuciosas das regras e tabelas dos inúmeros campeonatos de futebol. As teorias infindáveis sobre qual o perfil do consumidor de cada marca de cerveja. Os apelidos dados aos poucos bichos que rondam o lugar. E os mais variados cardápios da culinária brasileira servidos como prato do dia! Tudo fazia do Churrasquinho do Bigode um lugar quase perfeito.

Apenas uma coisa incomodava, pelo menos a mim, mulher. A falta de um banheiro!

Quantas vezes atravessei aquela praça, seja para o Banco do Brasil, seja para o buteco lá do outro prédio, para implorar o uso do banheiro!

Resisti bravamente, aguardando ansiosa a inauguração do “sanitário” que a administração construiu e que ninguém havia utilizado. Imaginava como seria o dia em que veria aquela porta destrancada!

E finalmente esse dia chegou! Ontem pude me deliciar de todos os prazeres que a Marquise nos proporciona, incluindo, o banheiro!

Confesso que foi um momento extasiante! Agora sim o Churrasquinho do Bigode é um lugar perfeito!


Raquel.

06/07/2011

Diário de “Borda”

Porto Alegre, 06 de julho de 2011.
Relato 1.

Inverno. Hoje, como ontem, o dia recebeu-me com 0ºC. E anteontem, com 2ºC. E no dia anterior, com 4ºC. Confesso que estava um tanto desacostumado. Diminuí meus exercícios matutinos para apenas 1.500 metros na piscina descoberta, além da corrida e da bicicleta, é claro. Inda bem que há sol, mesmo que o poder do astro maior esteja mitigado. Penso nos companheiros da Marquise e em suas reações. Minha expedição segue.

Aqui, os nativos se abrigam e se escondem em blusões e em botas altas e em espessas mantas e em pesados casacos e em ponchos e em capas e em luvas variadas e em chapéus e em gorros e em toucas e em boinas. É tanta roupa que, por vezes, vê-se tão-somente formas passando na rua. Que penso: “Lá embaixo haverá alguém.” E as crianças, coitadas, tão “entrouxadas” que se movem como robozinhos. Entretanto, há uma graça nisso tudo. E um charme, claro. O vinho, por exemplo, bebida de reputação tão ilibada, torna-se ainda mais imprescindível, reiterando a sua e a nossa nobreza. Um aquecimento da beleza. Nisso, nada posso reclamar.

Os aldeões fabricam os melhores exemplares do álcool de uva do país. Então, ponho-me a beber. Para, por assim dizer, “me enturmar” e ser feliz. E tenho tido sucesso no intento. Até agora, pelo menos. Bebo bem. E tenho amigos, também. E sou profissional. Tudo pela solidariedade e pela confraternização. E, dizem, o vinho é bom para o coração. Ah, os eflúvios...

Outro traço marcante nos autóctones é o arraigado hábito da cerveja gelada ao relento. Mesmo nestes inóspitos tempos. Os bares ao longo das vias sediam esses eventos. Estranha-se um pouco no início, por certo, mas após algumas garrafas, está-se “em casa”. E “bem certo”, em outra expressão local. E o normal é mais e mais sorver o suco de cevada que, por aqui, guarda uma especial assim batizada: Polar. Não sei se homenageia a aconchegante atmosfera do lugar, mas é uma bira “mui buena”, como eles dizem, de se tomar. E já que não sou de fazer feio e é preciso “me enturmar”, bebo. E assim descrevo este meu vagar. E tanto, que ponho-me a considerar: “Como seria que os bravos & heróicos convivas da Marquise se comportariam nesta terra onde impera um veloz e gélido vento no ar?”


E, de igual forma, também notabilizam-se os aborígenes sulistas, mais precisamente os Gaúchos, pelo extremado gosto por carne. Já desfrutei de algumas edições desse seu peculiar ritual desde que por aqui aportei. Chamam-no Churrasco. Nos que fui, os animais abatidos são preparados em estruturas de pedra nominadas churrasqueiras. Uma espécie bem mais precária da sofisticada Nouvelle Cuisine do Churrasquinho do Valdeco (ou Valdeci ou Bigode). Eles ainda têm muito o que aprender, mas o que fazer? Talvez um dia o Valdeco aporte por aqui e derrame-lhes o seu douto saber. Porém, até lá sigo eu a escrever sobre estas minhas explorações, pois “Navegar é preciso, viver não é preciso”...

PH

17/06/2011

o Rato Zé.



"afinal, você é um homem ou um rato?" - encaminhado pelo Emerson. Mais uma homenagem ao velho e cansado Zé! (O Rato!).

Ode aos ratos
(Chico Buarque/Edu Lobo)

Rato de rua
Irrequieta criatura
Tribo em frenética proliferação
Lúbrico, libidinoso transeunte
Boca de estômago
Atrás do seu quinhão
Vão aos magotes
A dar com um pau
Levando o terror
Do parking ao living
Do shopping center ao léu
Do cano de esgoto
Pro topo do arranha-céu

Rato de rua
Aborígene do lodo
Fuça gelada
Couraça de sabão
Quase risonho
Profanador de tumba
Sobrevivente
À chacina e à lei do cão
Saqueador da metrópole
Tenaz roedor
De toda esperança
Estuporador da ilusão
Ó meu semelhante
Filho de Deus, meu irmão
Rato

Rato que rói a roupa
Que rói a rapa do rei do morro
Que rói a roda do carro
Que rói o carro, que rói o ferro
Que rói o barro, rói o morro
Rato que rói o rato
Ra-rato, ra-rato
Roto que ri do roto
Que rói o farrapo
Do esfarra-rapado
Que mete a ripa, arranca rabo
Rato ruim

Rato que rói a rosa
Rói o riso da moça
E ruma rua arriba
Em sua rota de rato

o Zé.



Encaminhado pelo Emerson, em homenagem a esse ente, frequentador diário do churrasquinho do bigode, o Zé!

14/06/2011

O Adeus do Poeta




O velho poeta PH está indo desta para melhor!!!
Sim, é verdade, no dia 25, o velho companheiro da marquise, pegará seus panos de bunda e zarpará para aquele incompreendido mundo dos farroupilhas.
Esperamos que ele continue em contato, como um "Correspondente" em terras longínquas.
Ficará o velho Samba na mesa do churrasquinho do bigode, e acredito que todos vão se lembrar deste “menino sapeca levado da breca” que um dia passou por essa savana brasileira.

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim




Diretoria.

13/05/2011

Não é o lugar e sim as pessoas

Sempre falei pra Flor branca (Quel) que o que importa não é o lugar e sim as pessoas!

E está na Marquise é isso! Literalmente o lugar não tem um banheiro, (risos) mais quem liga pra banheiro onde se encontra pessoas que só acrescentam em nossas vidas?
Ali, nas poucas vezes que fui muito me diverti, mesmo em momentos onde a dor estava alojada dentro de mim, onde a falta da minha vó se fazia presente ou quando havia a dor, até mesmo, de um braço fraturado. Nada impediu que eu soltasse uma risada.

Lá pude ver com plenitude o que eu e Raquel somos, cantando a plenos pulmões a "Infinita high way"; ver a Quel dançar descalça em possas de cerveja; sentar perto do João (JB) e ouvir coisas engraçadas e coisas que nos fazem pensar. Ver o Marcelo sério, mas sentir que o mesmo tem uma serenidade e um amor pelas filhas que nunca vi coisa igual. Lá, onde aprendo palavras difíceis que me fazem chegar em casa e procurar no dicionário o significado. PH sábio, sempre tem alguma coisa boa pra falar e elevar a nossa estima, apaixonado por música e pela sua amada que é sempre citada por todos.

Ali, além da simplicidade do bigode e todos, um belo e gostoso churrasquinho é servido com aquela cerveja gelada, temos também o ligador Pablo que pouco converso mais que sempre está por lá hora falando no celular, hora com todos.
Uma grande mistura do que é a vida, simplicidade, amizade, alegria, música, este é o churrasquinho do bigode!

É na parada de ônibus, um lugar onde muitos passam mais poucos percebem o quanto aquele lugar e aquelas pessoas têm a oferecer.
Só tenho que agradecer a oportunidade de poder participar do lugar e das pessoas...

Obs: Baratas?? Ahh o Marcelo nos ajuda sempre, e o Zé (óóó Zé) seja sempre bem vindo porque ali percebi que não há quem não possa ficar pra ser feliz mais uma noite.

Juliana. (Jully)

29/04/2011

Por uma ilusão à toa

(aos Caíque, JB e Emerson)

E porque estivéssemos por ali, quietos e calados, os copos com cerveja em diferentes níveis, refundamos o tempo. Não éramos tantos, nem metade da habitual turma, mas um bom extrato dos que em outras ocasiões preenchiam aquele pequeno pedaço de mundo em busca da criação de novas mitologias, perseguindo os sonhos dispersos que à noite saem em manada, distraídos, para ornar os espaços protegidos pela escuridão. Assim, possuíamos o nosso tempo, uma cunha no maior, realidade imposta pelos desejos que vibravam em uníssono. Um gole aqui, mais um acolá e a memória dos acontecimentos.

Dentro em pouco, alcançaríamos o estágio das emanações. Até lá, entretanto, diversos assuntos se impunham. Filosoficamente, não rechaçávamos nenhum em nenhuma abordagem, apenas que todas, por dever do destino, regadas ao fugaz e gelado líquido alcoólico.
E a única certeza de que dispúnhamos, de que a vida é isso mesmo, um pedaço colado ao outro, uma colcha de retalhos, de episódios, de sucessões que nem sempre guiamos. Então, estar ali era, tão-somente, tomarmos nossa cavalgadura à unha, domarmos o monstro ancestral do cotidiano, infundirmos lirismo e inocência ao que em redor, não raro, era infeliz indecência. E sequer sabíamos disso tudo. Éramos, de fato, a cada noite, a cada incursão, a cada aventura, neófitos, incautos, estrangeiros. E isso, porque a vida está em constante e irrefreável inauguração.
Libertos e libertários (alguns, inclusive, libertinos), esse o nosso estado, a nossa empunhadura. Uma ordem dentro da insana desordem. Uma sincera manifestação diante dos que só crêem no que tocam com as mãos. Nós estávamos além. E não por mal ou por bem. Apenas, por vocação e, concedamos, alguma provocação. Afinal, esse o nosso charme e o nosso álibi. E, adiante, a fronteira.

E, se tudo é ilusão, quem somos nós para desautorizar o coração?

28/04/11

PH

27/04/2011

Glossário da Marquise

Pequeno dicionário de palavras ditas e faladas no churrasquinho do Bigode, para quem deseja freqüentar sem passar vergonha! Fique atento para o que se fala por ali.

BRASíLIA - (apelidada de Disney brasileira), vulgo BSB, é a maior cidade do interior de Goiás. Ela está localizada na Fazenda Distrito Federal de propriedade da família Roriz-cida. Foi construída durante o governo de Juscelino Kubitschek, presidente com quem todos os atuais presidentes querem se comparar, na tentativa de chegar perto de um mineiro safado que conseguiu fazer a maior obra superfaturada da história e ainda ser reconhecido como "estadista". Brasília, também conhecida pelos locais como "BRASILA" ou "BrasÓlia" (caixa alta sic), e assinada nos cheques como BSB, também é muito conhecida como o maior presídio de segurança mínima do Brasil. É lá que a cada 4 anos, cidadãos de todo o pais escolhem os ladrões mais perigosos dos seus estados para ficarem presos ( presos? ). Brasília é o lugar em que se paga caro por tudo: uma lata de cerveja nos bares mais pé-de-chinelo ou em churrasquinhos de gatos, custa em torno de R$ 3,00, a R$ 3,50 enquanto em outros lugares custa R$ 2,00 no máximo.

CHURRASQUINHO DE GATO - O churrasco de gato (também conhecido por "Churrasgato de filé minhau") foi criado por Pedro Américo, quando do grito da independência do Brasil. Percebendo o movimento próximo ao riacho Ipiranga e a chegada do futuro imperador, aproveitou a data festiva para ganhar uns trocados. Esta atividade continua em franca expansão nas décadas seguintes, principalmente depois da criação dos vários estádios de futebol paulistas onde a iguaria é servida até hoje em dias de jogos (os chamados no paulistanês de clássico) , além claro, de está presente no churrasquinho do bigode, e sendo tratado como uma iguaria.
No final do século XX o churrasco de gato tomou conta das carrocinhas dispostas com total irregularidade nas calçadas de avenidas, marquises e ruas de Brasília até se tornar produto de exportação, sendo muito apreciado na América pelos yuppies que, desejando fazer uma refeição mais consistente que o cachorro quente deles, adotaram o barbecue cat como prato rápido.

CERVEJA - A cerveja foi inventada, como podem comprovar historiadores escandinavos e alemães em estudo científico publicado na revista "My Beer My World" (ed. 768, ano 1985), pelas mulheres feias. O estudo do historiador e pesquisador PhD em História Alcoólica, Homer Simpson, comprova que em meados dos anos 30 a.C., algumas camponesas excluídas pela sociedade local na região da Bavária, se reuniam nos campos de colheita de cevada, onde trabalhavam diariamente para seus homens - que gastavam suas noites nos bordéis.
Elas se organizaram - primórdio do pensamento feminista - e confabularam para achar uma maneira de se sentirem menos mal-amadas. Foi aí que elas, durante várias reuniões gastronômicas - e desastrosas, por sinal - acabaram descobrindo, acidentalmente, a técnica da fermentação da cevada, quando um tonel do suco fermentou (elas estavam mais preocupadas em discutir sobre quem ia vigiar a mistura). Depois dessa descoberta elas foram se aperfeiçoando e descobriram, enfim, que essa receita tinha um efeito sobrenatural em seres humanos, principalmente nos homens.

BANCO CENTRAL - Banco Central é uma das milhões de instituições do Governo Federal e tem como objetivo fazer o Brasil ficar cada vez mais pobre. Seus diretores e seu presidente fazem o Brasil cada dia que passa crescer menos aumentando o juros ;empobrecendo o povo brasileiro e enricando os bancos cada vez mais!!! o BC fez o pacto com a China e os EUA com o objetivo de fazer o brasil nunca sair do lugar e continuar nessa pobreza.
Voce é gay por causa do BC!! Veja por que:
• Com os juros cada vez mais altos, o Brasil não cresce e você não arruma emprego.
• Sem emprego você não tem dinheiro!!
• Sem dinheiro você nao pega mulher nenhuma!!
• Sem mulher você acaba dando o seu botão para não ficar sem transar.

FILOSOFIA - Filosofia é palavra de origem grega formada por duas outras palavras que remetem a um significado cabra omi. Os filósofos ainda discutem para descobrir qual seria esse significado - mas não decidiram ainda. Filosofar é sinônimo de questionar. Um filósofo consegue fazer mais perguntas que o Zequinha do Castelo Rá-tim-bum. Questionar faz do ser humano mais humano e menos animal. (Logo, o torna ainda pior do que ele já é.) Há quem diga que deixando de lado -ou de frente- seu lado animal o homem se torna filósofo e começa a pensar. Abandonando assim todos os conceitos carnais, como sexo, emoções, sexo, medo, sexo, raiva, sexo, desejo, sexo... Eu já falei sexo?

APOSENTADO - Aposentado é toda pessoa que trabalhou durante sua vida , para de trabalhar na terceira idade exige do INSS uma aposentadoria. Geralmente eles não tem mais o que fazer já que estão no fim da vida ,e gastam seu dinheiro em remédios e coisas extras.Chuck Norris nunca se aposentará , pois ele nunca fica velho. Isso vale também para Lourival e Sr. Caique.

MUSICA - Música é uma combinação de barulhinhos chatos que você gosta de ouvir, e às vezes paga para ouvir. Assim como seu pai, sua mãe - quando pensam que são jovens -, você e muitas outras pessoas gostam quando este maldito barulho fica no último volume de um rádio com umas 97583452 caixas de som só para fazerem o que eles chamam de rave, no popular, cabaré, e serem presos depois por incomodar a vizinhança.

KOMBI - Kombi é um dos veículos mais poderosos e belos que existem no universo, fabricado pela Volkswagen que serve para tudo o que você possa imaginar, desde fumar umazinha com os colegas na frente de uma delegacia a viajar pelo universo escutando Bob Marley. Criada originalmente para transportar material de guerra para a Alemanha nazista, mas ela provou ser uma fenomenal maquina de guerra e era usada junto com Fuscas, ambos os veiculos provocavam terror nas tropas aliadas, mas ainda sim os ótarios dos alemães acabaram subtistituindo ambas as maquinas por Mercedes, assim eles perderam a guerra, depois da segunda guerra tanto o EUA quanto à URSS passaram a disputar por sua tecnologia muito superior, ela passou a servir para fins civis e foi adotada por militares de outros países e Hippies maconheiros. Uma das utilizações mais conhecida é o transporte de cervejas, churrascos, cadeiras, mesas, e um tanto de Jucas e Amendoins, que fazem acontecer o churrasquinho do bigode.Pode ser utilizada também como Transporte escolar do "Tio Nelson",que não tem dinheiro pra comprar uma Kia Besta ou uma Sprinter.

MULHER - A mulher é a fêmea da espécie Homo sapiens. Sua primeira representante na Terra foi Eva. Existe outra corrente de biólogos que considera Dercy Gonçalves como sendo a primeira mulher (se for considerada como tal) da face da Terra. Testes com Carbono 14 estão sendo feitos para confirmar tal fato. Pedro já havia falado sobre essa espécie em ascendencia no churrasquinho do Bigode. Por enquanto entendemos ISS como um ser extraterreno do qual, não se pode confiar.

RATO ZÉ - Os Ratos são criaturas mitológicas lendárias que servem de guardiões e mestres para nosso mundo desde o início dos tempos, servindo também como ótimos mestres Ninja para tartarugas em procura de prestação de serviços à comunidade. Outros hobbies desses míticos animais envolvem roer fios, comer queijo, escutar metal, realizar passeatas petistas no Nordeste, espancar emos e skinheads, masturbação coletiva e zoofilia. Os Ratos geralmente vivem em esgotos, bueiros, Galeria dos Estados, lixões, quartos de headbangers e cabelos black power, protegendo a todos nós meros humanos, mas também são frequentadores de night houses, , clubes, botecos (ninguém é de ferro) e principalmente do churrasquinho do bigode.

BANHEIRO - Banheiro é um lugar reservado pra escorregar o moreno, descer a massa e tirar a água do joelho. Banheiros são idolatrados por pessoas de mãos cabeludas e é um local odiado pelo Cascão por ter chuveiro e pia. No churrasquinho do bigode há um banheiro público, imagine ele tendo uma aparência feia, com um diâmetro apertado e fedido, mas só fique no pensamento, pois esse banheiro público já está ali a anos e anos e ninguém sabe como ele é por dentro. Na verdade qualquer lugar dali do churrasquinho do bigode, pode ser um banheiro público basta abaixar as calças e arremessar a massa no chão, este ato fecal é cometido por cavalos,cachorros,mulas e pessoas que freqüentam o local.

CANTORES - Cantor é aquele profissional (sic) inútil cuja única utilidade é torrar os nossos ouvidos e encher o nosso saco. Segundo o Cabeça, se trataria de um puta trabalhador honesto, no entanto, há teorias que contradizem esta afirmação, em especial algumas que dizem que rola o maior Teste do Sofá também no mundo musical.

VIOLÃO - Violão ou Viola é um instrumento que foi descoberto apos a Segunda Guerra Mundial, em meados de 1945, geralmente usados por aqueles seus colegas que roubam todas as minas tocando, e você tenta aprender, mas não consegue. Também usadas por bandas famosas, que acabam com suas economias quando você vai ao seu show, só para velos tocar (você da o troco baixando as músicas deles grátis pelo Lime Wire).

CRACK - Crack é uma droga criada por Sauron,em 22 A.C; sua função original era corromper o coração dos homens e escraviza-los tornando-os Viciados. Depois da queda de Sauron os humanos aprenderam a fabricar o próprio crack e foram felizes para sempre, embora a comunidade cientifica recomende precaução ao utilizar, já que apesar de não ter mais Sauron nenhum a droga ainda corrompe as pessoas.

MENDIGOS - Mendigos, mais conhecidos como Mindingos, Minmin, Hippies ou Grunges. São uma espécie de protozoários derivada da raça humana (Homus pedintun). São caracterizados pela indisposição para qualquer forma de trabalho, sobrevivendo como caçadores-coletores (de esmolas). Morfologicamente apresentam uma ampla gama de fenótipos, no entanto certos traços são comuns a todos os mendigos, como dentição incompleta, manchas marron-enegrecidas sobre a pele ("sujeira"), dons curiosos de poeta, musico ou filósofo e um odor característico expelido por suas poderosas glândulas adanais (i.e.: glândulas próximas ao ânus). Também possuem o dom raro de se tele transportar, parecendo que estão em vários lugares da cidade ao mesmo tempo.

AMIGO - Amigo... todo mundo diz que é amigo. Mas todo amigo é no fundo um puxa-saco interesseiro que com certeza quer alguma coisa sua, seja seu dinheiro, sua mulher, seu perfume, seu emprego ou sei lá o quê. Amigos são aqueles por quem você dá tudo: amor, carinho, atenção, escuta as coisas mais chatas do mundo e eles fingem que se preocupam com você, mas no fundo eles só querem se aproveitar de você, sugar tudo o que podem, cada fraqueza, cada erro e cada problema, e depois quando veem que você já não pode oferecer mais nada eles viram as costas e seguem seus caminhos, procurando uma nova pessoa pra sugarem.

TELEFONE CELULAR - O telefone celular foi inventado em 1888 por acidente, quando Alexis Colombo Cellphünnen Szpakowski tomava banho num de seus banheiros que tinha um fogão. Diz-se que ele estava com pressa nesse dia e estava fazendo um omelete quando seu prestobarba caiu no omelete e causou curtos-circuitos de 1ª geração. O nome celular está relacionado com a analogia matemática que Szpakowski fez do ovo com uma célula. Um ovo na verdade é uma célula gigante com núcleo amarelo.
O celular é um dos meios de comunicação mais usados atualmente, pois com ele as pessoas podem se comunicar com as outras a qualquer hora e em qualquer lugar, mesmo quando não tem nada a dizer. Quando vc estiver vendo um pequeno humanóide andando, de lá para cá, e de cá para lá, horas e horas, saiba que ele é apenas mais um usuário deste incrível invento.

CORDEIRO - A ovelha é um animal que anda de quatro e que come, vomita e engole de novo, assim como sua mãe as vacas, bodes, girafas e tantos outros. Foi um dos primeiros animais a ser devorado no churrasquinho como uma iguaria. As ovelhas foram fundamentais para várias civilizações. O sacrifício de ovelhas, além de salvar várias cidades da destruição por parte de deuses esquisitos com nomes complicados, também eram um esporte violento apreciado por inúmeras camadas da população, antes do surgimento do Counter-Strike.

BÊBADO - O Bêbadu é algúém qui por determinazão djivina ô própria dji zua confuzão mental acaba ze utilizanu du uzu dji bebidaz alcoólicaz poucu rrrecomendadaz para ezquecê fruztrazõez zesshhhuaiz i zuzu qui acontece à zua volta.
Geralmentsshhhi uma pezoa bacana (ic!) com um bom grau dji inztruzão i bom convívio sssozial. Bêbaduz zão pezoaz legaiz qui nunca torrrram u zacu dji ninguém i nunca cauzam nenhum tipu dji djiztúrbio na sssoziedadji (ic!) ô pelu menuz é u qui elez penzam a rrrezpeitsshhhu dji zi mezmuz.
Podji cê u cabra maiz homi du mund igual u meztre Jeremiaz (ic!) maz ao mezmu tempu u quartsshhhu maiz gay (zó perdji para Clodovil (ic!) oz zão-paulinuz i oz emuz) (ic!) comu u cara qui jogô trucu valenu u toba.


Leve adaptações de vários textos de origem na internet.

JB.

18/04/2011

A sensação incrível



Taí, essa vai para aquela corrente ideológica que menospreza a cultura barlesca, dizendo ser um antro da perdição e de pessoas desocupadas e desassistidas pelo sistema. Quando na realidade, quando bem utilizado é um pólo catalisador de culturas. E ócio criativo. Pois sim, manutenção do cérebro é isso. Você dedica 40 horas da sua semana em tons formais, procedimentos técnicos ou simplesmente mantendo a postura. Alguma hora do dia precisa falar alguma besteira. Pois então, a cada oito horas vividas no ambiente familiar da segunda casa, talvez você tira uma hora de almoço, totalizando nove horas/dia. Se você é como a maioria e duas horas de almoço, dá se dez horas por dia. Vamos na pior das hipóteses, dez. Ok, 10 menos 24 é igual a menos 14. Multiplica por mais um e vira 14 positivo. Esse é o cerne da discussão, você desgasta sua mente, imagem, saúde e juventude nessas dez horas diárias e lhe restam 14 para manutenção do cérebro. Seu caminho até a sua casa é tortuoso e você tem pavor de trânsito.

Porque não janta uma pururuca no Chaguinha. Ali jazem skatistas. Foram identificados três tocadores de violão com estilos distintos: samba raiz, brega e rock. Toda a sorte de manifestação grevista, extintos shows no cebolão, show de reggae em época de eleição tiveram como base aquele espetinho. A categoria é unida, porém ainda não conseguiu organizar o show para inauguração do banheiro público. Diante daquela fumaça que sai dos carvões vários atores sociais ascendem. Há aquela figura daquela mulher chorando. Diante de uma maioria engravatada, perfumam o ambiente esquerdinhas, sábios aposentados, criaturas que saem e voltam da noite famintas por um churrasquinho, professor de filosofia, motociclistas, colecionadores de figurinha, e a cíclica renovação de pedintes.

Quem acompanhou os mais de dez anos de casa assistiu com privilégio a transição da merla pro crack. Viu ex-empresário, pré-carnaval, Rei Momo e garotas do emprego mais antigo do mundo. A cultura floresce democraticamente neste espaço. Há nichos de papos diferentes. Esta civilização a parte apresenta rica culinária (incluído no aspecto cultural). Os nomes das peças servidas vão de A a Z, servidos no caldo ou na farofa. Com ou sem pimenta. Esse amálgama gera conhecimentos básicos indispensáveis para o entendimento de qualquer ramo do saber humano. Catorze ou quatorze são poucas as biritas servidas naquele lugar.

PEDRO

13/04/2011

O homem mau

Eu penso alguns instantes em algumas besteiras, mas só alguns instantes, logo volto ao normal. Fui intimado a responder a seguinte questão no churrasquinho do bigode. - JB, o que filosoficamente você acha do louco Wellington Meneses, que matou várias crianças la em Realengo no RJ. Em um primeiro instante relutei em responder. Minha cerveja estava cheia, era a primeira daquela terça-feira. Achei injusto fazerem tal pergunta, e sei que minha resposta não seria construida ou entendida por uma frase feita, então, fiquei de responde no blog. O assassinato que ocorreu na escola, no Realengo, remete a seguinte questão. O homem é um ser bom por natureza, ou ele é um ser mau por natureza. Bom, se o homem é bom por natureza (digo natureza, buscando visualizar o homem em um estado sem amarras da civilidação e da sociedade, onde viveria sem um contrato social), alguma coisa faz com que ele se torne mau perante o outro. Foi a civilização em que vive, a sociedade que lhe impos outros critérios de valores que não são os dele por natureza, transformando esse homem em algo codificado. Sendo assim, o assassinato no Realengo, fica justificado. O individuo matou tantas crianças, porque a sociedade, a civilização, esse contrato social do qual ele está inserido, o torna ruim, tira da sua natureza os seus principios mais básicos. Seria então o contrato social que transformou o bom homem, em alguém mau. Se o homem é mau por natureza (entenda o mau aqui, sendo ele mesquinho, egoista, individualista, que busca tirar proveito do outro, em beneficio próprio), alguma coisa então deve fazer com que ele segure esse instinto, tornando-o docil, sociavel, amável e civilizado. O assassinato em Realengo então nada mais é, do que a manifestação do seu lado mais instintivo, e que vai contra a ordem estabelecida que é do contrato social. Entenda como “contrato social” aquilo que faz parte de uma teoria que busca entre outras coisa, explicar uma ordem social, um acordo entre membros de uma mesma sociedade, fazendo com que o homem se prive de alguns direitos e liberdade, para que ganhe outras vantagens diante desta ordem social estabelecida, ou seja, eu não gostaria que meu vizinho roubasse minha casa, mesmo que eu tenha essa vontade de rouba-lo em algum momento. Deixando então que esse direito e liberdade sejam gerenciados ou por um governo ou por uma autoridade. Na realidade essas são duas teorias que falam da mesma coisa. O homem está inserido em um acordo, em um contrato social. Mas o que a teoria distingue uma da outra é quanto a posição da natureza deste homem diante dele. Thomas Robbes, em seu livro chamado Leviatã, dita sua frase mais conhecida, homo homini lupus, “o homem é o lobo do homem”, e que ele vivem em “uma guerra de todos contra todos”. Diz que com o contrato social uma vez estabelecido o homem se castra, fica inibido, lhe é proibido manifestar esse seu instinto mau e cruel. Jean J. Rousseau, acreditava que o homem é bom por natureza, foi a ideia de sociedade, de civilização que o transformou em alguém egoista, mesquinho, cruel, principalmente quando ele adquire a ideia de propriedade privada, surgindo dai uma desigualdade social. O contrato social seria o que torna o homema mau. Nelson Rodrigues tem um filme, onde é citada a frase “O mineiro só é solidário no câncer”, corroborando com a ideia de Robbes, onde o homem é por natureza mau, e se em algum momento ele é solidário, só o será diante de uma desgraça. O escritor Dostoieviski, na frase “se Deus não existe, tudo é permitido.”, faz uma clara alusão de que se não houver uma autoridade frente ao homem, ele será mau. Qualquer violência onde tenha como vítima uma criança, sempre tem um apelo emocional muito grande nas pessoas, talvez pela condição de indefesa, de inocencia, e isso acarreta em muito o julgamento de qualquer um que venha cometer um crime contra elas. Em alguns momentos, mas só em alguns momentos, utilizando principio da navalha de ockham, (ou a lei da parcimonia), penso que o homem é bom, ele é camarada, ele é piedoso em seu estado de natureza, o sistema, o estabelecido, essa estado social, essa civilização, o meio é que transforma e denigre a sua boa essencia. Existem seres dos quais não conseguem se adaptar a esse estabelecido, a essa comunhão social. Mas penso isso só em alguns instantes. Logo volto ao normal. JB.

Massacre no Realengo escancara várias lacunas

Após o massacre no Realengo, muito têm se questionado sobre por qual razão e qual é o problema que Wellington Menezes de Oliveira para realizar aquele ato inominável. Problemas mentais ficam a parte do exame criminológico. Independente do diagnóstico psiquiátrico, ele pode ser considerado como um suicida midiático. Semelhante as intenções de Mateus da Costa Meira, mais conhecido por "O Atirador do Cinema", ou "O Atirador do Shopping", que com uma metralhadora portátil disparou conta uma plateia de um cinema em São Paulo em 1999. E semelhante também aos homens bombas, provavel inspiração de Welligton. Ele, como uma triste parcela da humanidade, ceifa a própria vida. Porém, infelizmente ele o fez causando comoção internacional. Agora, diante dos poucos fatos apresentados até agora, será que sua intenção era aparecer? Ser e ser visto? É fácil pensar assim de alguém que viveu a vida inteira na sombra. Dentro de sua mentalidade, talvez, ele tentou fazer um protesto contra o bullying (violência escolar). Alguém possa querer taxar ele como “coitado é doidinho”. Mas creio que no caso de Wellington foi mesmo o espetáculo midiático visto e inspirado no 11 de setembro. Mas tentar classificar Wellington é apenas a ponta do iceberg. Agora esse trágico fato ocorrido em uma escola brasileira deve ser discutido com exaustão e são necessárias mudanças políticas e na conduta da sociedade. No caso dele, todos os fatores devem ser levados em consideração. Ele, até o que foi dito tinha uma mãe esquizofrênica, fazia uso de medicamentos, e era massacrado mentalmente na escola. Ele não foi o único do mundo e nem será o último. Porém a escola é responsável pela integridade física e mental de seus alunos. Não pode deixar ao ponto de deixar alguém ser arremessado na lata de lixo. Foi dito que além do combate ao bullying deve haver preparo por parte dos educadores para identificar potenciais mentes agressivas e deve haver por parte do governo federal, estadual e municipal programas sociais para tratar de causadores e vítimas de violências. Sobre a segurança das escolas contra agentes externos, é da doutrina da educação brasileira não isolar as escolas, por considerar uma escola com livre trânsito de a comunidade ser mais segura. Assim como transparece que esta chacina não havia como ser impedida. Depois dos tiros em Columbine, todas as escolas estadunidenses instalaram detectores de metais em suas entradas. Seria essa uma solução para o Brasil? Há inúmeros exemplos de alunos entrarem armados contra o fato de a revista pessoal possa ser interpretada como uma forma de violência. Neste debate não me atrevo a adentrar e nem tenho propriedade para falar sobre o Batalhão Escolar da Polícia Militar.

Outra questão mal resolvida é o desarmamento. É fato que Wellington poderia fazer um massacre com um facão. Mas também é fato que a indústria bélica age como qualquer outra pelo lucro em detrimento a qualquer outra coisa, e tira sua culpa quando ocorrem fatos como esse. Também é fato que a maioria dos homicídios ocorridos no Brasil são praticados por armas de fogo (registradas E contra aquele argumento que desarmamento irá desarmar os cidadãos de bens e deixar armados os bandidos. Muito dos alvos dos ladrões e dos latrocídas são as armas dos cidadãos de bens, na contramão do mantra “é para a minha segurança pessoal”. E se aquela pessoa se auto-denomina cidadão de bem, porque não limita o posse de sua arma apenas ao ambiente do clube de tiro. È a lei da ressonância: violência atrai violência ou gentileza atrai gentileza. Essa discussão é mais complexa porque no meio rural a realidade é diferente da cidade. Nas fazendas você está isolado e sem tempo hábil para a chegada de um socorro. O que não impede que as mesmas armas (legais e ilegais) sejam utilizadas para cometer crimes hediondos. Ao fim do artigo é difícil chegar a conclusões, mas abre interrogações. Ainda mais diante que o “talvez”, foi o principal advérbio nas narrativas jornalísticas.

Pedro.

05/04/2011

Eu sou um carnaval

Ontem fui comemorar o aniversário de um amigo. Encontrei alguns outros amigos, alguns conhecidos e conheci outros tantos. Mas eu estava ali pelo meu amigo-aniversariante, nada mais. Após horas, quando finalmente pude conversar com o homenageado, como sempre fazemos, buscando alguma poesia e lógica nas coisas da vida. Ele tão corriqueiramente, despretenciosamente, quase como uma observação jocosa, me fala: "Raquel, você é um Carnaval!" Logo em seguida, acredito que pela cara perplexa que eu fiz, percebi a sua preocupação em se explicar. Mas, pasmem, eu compreendi e me senti docemente elogiada! Sem palavras. Observando os lugares em que nos vemos sempre, os breves momentos de conversa, o pouco que sabemos de nossas vidas e, ainda assim, sempre alimentando uma amizade sincera e verdadeira, para mim, ouvir essa frase, foi perfeito! Eu disse a ele que entendi, mas ele arrematou: "Você é a alegria e o colorido!". Muitas vezes tenho dúvidas do que sou e do que represento para quem admiro. Mas tento desenvolver um lado observador, para arrancar das situações as respostas. Ontem fui dar um abraço de aniversário no meu amigo e ganhei um elogio à altura de um desejado presente!!! Obrigada PH.

RAQUEL.

04/04/2011

A tristeza do filósofo

(em testemunho a uma noite) A noite chegara. Comemorações. O aniversário de um de nós. A sagrada liturgia do reencontro entre líquidos viciantes e libertários e anunciantes e nobres carnes cozinhadas sob os eflúvios da mais alta gastronomia. Espaço-tempo. A noite divisória. A celebração da vida. Todos juntos. Fortes. Belos. Felizes. Felizes? Nem tanto, pois que nosso filósofo em sua indescritível bondade carregava em si e apenas para si um silêncio denso. Estranhamos. Respeitamos, sobretudo. E, isso pelo motivo que sabemos todos que as almas dos homens são por vezes incomunicáveis, apartadas umas das outras por movimentos e forças irrefreáveis. Sim, há momentos nos quais estamos em luto. E os olhos de nosso querido filósofo cavalgavam pradarias muito distantes. O seu corcel de fogo rasgava um invisível horizonte. E essa ferocidade turvava o seu semblante. Nada jamais seria como fora antes. E o filósofo, por fim, rumou para casa mais cedo do que de costume. E levou com ele uma parte de nosso lume. E, desde então, aguardamo-lo. O bandoleiro das tempestades intelectuais. O nauta que, solitário, rompe as mais ferozes vagas em desafio a Netuno. O amigo de sempre, digno representante das mais honradas gentes: aquelas que são singelas no tempo presente. PH.

03/03/2011

Os transgressores.

A história está ai para não me deixar mentir. Romário, após os 40 anos, ainda insistia em jogar bola, mesmo quando todos diziam que ele já devia ter parado de jogar, uma vez que após os 30, qualquer jogador de futebol não mais teria pique para correr pela bola. Carlos Drummond de Andrade transgrediu a língua portuguesa quando cita “tinha uma pedra no meio do caminho, tinha uma pedra” ignorando conscientemente o verbo haver, buscando o oposto ao avesso da transgressao poética. Cristo foi um transgressor de uma época em que se pregava o "olho por olho dente por dente" e ele oferece a outra face.

A "diretoria" é transgressora, ela não frequenta bares com boas cadeiras, com atendimento ímpar, eles bebem cerveja em copos de plástico, bebem direto na latinha, não se preocupam com banheiros, sentam em mesas ao relento, fogem dos limites e entram direto na boemia, ignoram as facetas dinâmicas das redes sociais e econômicas, parecem anormais demais, inconformados demais, homens que nasceram póstumos, e para completar freqüentam esse lugar não menos transgressor, quando ali o proibido é o próprio ato de se proibir.


JB.

24/02/2011

J’accuse!


(em memória de uma injustiça)

Abrupta e irrecorrivelmente fomos retirados do sonho inda despertos. Durante a noite, acordados que estávamos pela alegria reinante em nossa ilha da memorabilia incrustada bem no meio do resto do mundo, interromperam nosso idílio. Acabaram com a fantasia às vésperas dos festejos de Momo. Nós, os inocentes, pois que sempre o somos, acreditamos nos antigos postulantes e hoje donos do poder. Nós, os tais que somente queríamos sorrir e beber. Nós, os “anormais” que apenas desejamos com o cotidiano do mundo romper e ali no Churrasquinho do Valdeci enternecer. Enternecidos e abandonados. E por essa perda eu acuso os donos do poder!

Pois bem. Valdeci, ou Antonio Vieira da Silva, empregador de seis pessoas, entre as quais figuras marcantes como o Chaguinha, o Juca e o Aílton, sem esquecer do Adelson, desde 2000 ocupando um espaço na Praça do cebolão, ontem à noite, dia 23 de fevereiro, foi instado pela AGEFIS, Agência Fiscalizadora do GDF, a encerrar suas atividades. Eu, PH, o JB e o Reisson, os integrantes da Diretoria na hora presentes, testemunhamos o ato de força. Vimos a chegada da viatura, suas luzes berrantes ecoando a época dos militares, os distintivos dos fiscais reverberando o golpe oficial circunscrito aos limites da lei. Da lei, senhoras e senhores. A mesma lei que nos outorga o direito de ir e vir. A mesma lei que diz que todo homem possui o direito à decência da vida. A mesma lei que é nada mais que um contrato social. E os donos do poder são os donos dessa mesma lei? São? Serão? E por isso eu os acuso!

Eu acuso os donos do poder de hoje, pois ontem, e não estou sozinho a recordar, eles estiveram conosco. Sim, estiveram conosco no Churrasquinho. Sim, cumprimentaram-nos. Sim, beberam das mesmas cervejas. Sim, confraternizaram. E, claro, pediram votos. Pediram votos, senhores e senhoras. Ou seja, eles nada mais são do que nossos representantes. Será? Nesta nossa sociedade de tantas lógicas invertidas, onde parecer toma o lugar de ser, a representação democrática cada vez mais se afasta de sua função. Os homens engalanam-se no poder. E crêem ser superiores, inalcançáveis, portadores de uma liturgia que os diferencia. Eles saíram da planície. São semideuses. Mas, ontem, incrível e recentemente, eles freqüentaram o que agora taxam de ilegal. E por isso, eu os acuso!

Eu os acuso pela estridência do seu ato, pela truculência de sua “amnésia”, pela violência do corte em nossa noite. E, mais, pela indecência do desrespeito ao local físico da incidência, pois que a Praça do Cebolão é espaço histórico e referência de lutas populares, de conflagrações democráticas, de reuniões políticas, de multidões em aspirações legítimas. E de alegrias fugazes tais como a celebração carnavalesca. Ali, na Praça do Cebolão, convivem em perfeita harmonia bancários, banqueiros, jornalistas, jornaleiros, esqueitistas, esquerdistas, direitistas, sindicalistas, homens, mulheres, publicitários, “incendiários”, sonhadores, pragmáticos, operários, seguranças, falenas, músicos, estetas, filósofos, poetas, enfim, uma gama de representantes da comovente variedade humana. É disso que nos acusam?

Por essa permanência, por essa premência eu retribuo e acuso os donos do poder! Essa a nossa luta, senhoras e senhores, que o sonho, por vezes, se crava na terra. E quem nisso acredita, não erra. A revolução nunca foi mais tão urgente. E reside uma rara beleza na insurgência, já que toma-se às mãos as estações do tempo. Por isso, por esse advento, os donos do poder eu acuso. E não me arrependo!

PH

24/02/11

LUTO - Cuspindo no prato que comeu.


A AGEFIS, (Agência de Fiscalização do Distrito Federal), na operação em que estão retirando os ambulantes irregulares do centro de Brasília, ontem retiraram o Churraquinho do Bigode, ali da Marquise.

Sem pensar em nenhum tipo de critério de valores, se é certo ou errado, acho que poderiam primeiramente oferecer alguma forma para que essas pessoas que estão irregulares, se regularizem, assim como sempre é prometido durante as campanhas eleitorais.

O Sr. Magela, que já visitou o Churrasquinho, durante sua campanha eleitoreira para o senado, assim como o nosso atual Governador Agnelo, ambos estiveram ali prometendo regularizar todos os trabalhadores informais. É o típico sintoma do cuspir no prato que comeu. Desnecessário, simplesmente desnecessário. Com a ação, vários funcionários do Banco e entorno, estão órfãos e esperando alguma solução para o problema. Agrava ainda mais a situação, pois o churrasquinho do Bigode está ali a mais de 10 anos e de certa forma, contribuiu muito para a arrecadação de votos para vários políticos da cidade, e dentre eles, nossos atuais governantes.

JB.

21/02/2011

Comportamento


Um estudo maluco do National Child Development Study, no Reino Unido e e outro do National Longitudinal Study of Adolescent Health, no Estados Unidos comparou a inteligência de adultos e quantidade de álcool ingerida por eles e constatou um dado curioso: as pessoas mais inteligentes bebem mais.

Durante sete anos os pesquisadores norte-americanos monitoraram a inteligência de crianças e adolescentes até 16 anos, e na Inglaterra até os 40 anos. As pessoas foram classificadas de acordo com suas capacidades cognitivas, em 5 categorias, de “muito burro” a “muito esperto” e o consumo de bebidas alcoólicas por essas pessoas foi medido também.

Ao final da pesquisa eles perceberam que as crianças classificadas como mais espertas foram as que mais beberam. Cerca de oito décimos a mais que as classificadas como “muito burras”. Os pesquisadores não apontam razões específicas para o resultado e seguem pesquisando se existe uma relação entre ambas as coisas, bebedeira e inteligência.

O curioso é que até hoje a ciência inclusive apontava o contrário, que beber demais emburrece, porque queima neurônios. Na dúvida, consuma com moderação.

FERNANDA SCARIOT

Fonte do texto: http://mauren.terra.com.br/noticias/comportamento/os-inteligentes-bebem-mais/

DESABAFO CARNAVALESCO

É sexta-feira. Restam os últimos dez minutos de uma semana exaustiva de trabalho. Recebo uma mensagem de texto: “Chagas”. Imediatamente, tudo estava transformado. Não retornaria para casa com aquele vazio de todos os outros dias. Havia algo para fazer que iria me ajudar no esquecimento de expedientes tão repetitivos e maçantes. Respondo prontamente: “Ok”. E a missão se inicia. Não se pode pensar muito: é dever. Peguei a via mais rápida e atravessei com cautela e determinação uma parte da cidade, para enfim chegar ao lugar onde encontraria meus queridos.

Porém desta vez, ao invés da alegria de sempre, fui surpreendida pela decepção que assolava aos que se auto-intitulam: Diretoria. Até eu, que não ouso tal nomenclatura, me senti contagiada por aquele sentimento de frustração.
O reduto de meus filósofos-etílicos fora invadido por pessoas que em absolutamente nada, se assemelham aos que ali freqüentam. Somente após quinze minutos percorridos, pude encontrar em meio àqueles inúmeros desconhecidos, um dos meus queridos “diretores”. E de súbito me veio a frase, a única que habitava meu pensamento: “Joãozinho, que porra é essa???”.

Perdoem-me pela expressão chula, mas era exatamente o que expressava meu sentimento quando percebi que o Churrasquinho do Bigode havia se transformado num baile de Carnaval.

Rei Momo, mulatas, pandeiros, tamborins e surdos, estava tudo ali, com direito a palco, iluminação e gente, muita gente. Em meio a esse cenário, eu e JB nos encontrávamos renegados a um pequeno espaço de dois metros quadrados, praticamente em cima daquele quiosque que meus queridos chamam, carinhosamente, de banheiro.
Não havia espaço para nós que sempre tivemos nossa mesa VIP! As nossas cadeiras cativas, sob a idolatrada Marquise, eram disputadas por uns que certamente jamais retornarão. Fomos traídos.

Nossa melancolia, dramática, tentava se expressar acima dos 150 decibéis do samba gritado. Queríamos nos manifestar, dizer que estávamos ali, mas nem Bigode, nem Adelson e muito menos Chaguinha nos dava atenção. A clientela carnavalesca estava se deliciando de nossas cervejas e de nossos churrasquinhos! Tratava-se de um insulto.
Mas o que fazer? Não nos cabe mudar o mundo. A Marquise não suportaria nos ver fazer algo que não fossem nossas reflexões noturnas regadas a cevada. Porém, neste dia, ela não nos acolheu como de costume. E após algumas rápidas e frágeis tentativas frustradas de estabelecer nossas conversas, me dei por vencida.

Pela primeira vez, deixei o lugar antes do Bigode me expulsar recolhendo as cadeiras. Fui embora sem a despedida afetuosa de todos. Enquanto caminhava até o carro, decepcionada, busquei na memória qualquer lugar que, naquele momento, pudesse substituir o “Chagas”. Mas, sem outra opção, fui para casa.

RAQUEL.

11/02/2011

Os amanuenses e a estação orbital

(um texto caótico)

Prólogo

E como tudo o mais carecesse de sentido, o Emerson inventou um que apaziguasse sua pervagante alma e enlevasse nossa anterior calma. Chegou apressado, algo atrasado,
largando celular e chave sobre a mesa e buscando em um outro invólucro parecido com o do telefone móvel alguma coisa que não sabíamos, ainda, o que era. De cabelos molhados, cuidadosamente repartidos ao meio, franjas para cada lado e recendendo a perfume, como que formalmente preparado para um evento, avançou para um pouco além de nossa ilha, mas ao alcance de uma conversa: “Que horas são? Às oito e vinte e cinco ela vai passar.

I

Que horas são?” E mirava para o espaço de entre os prédios atrás de nós, à esquerda de quem chega ao leal e valeroso Churras do Valdeco. “Que horas são? Alguém tem horas? Ela vai passar às oito e vinte e cinco! O sul é para que lugar?” Nesse instante, recordei-me do coelho atrasado de Alice no País das Maravilhas. “Que horas são?” Ele encarnava o próprio coelho no intróito do caos, do absurdo. E eu, o JB e o Marcelo éramos o Chapeleiro Maluco e sua trupe, apenas que trocando o chá por botijas de cervezas, claro. Sim, nossa anormalidade cotidiana se caracterizava. Tornávamo-nos personagens de nossa própria fauna. Enfim, apocalípticos e integrados.
“Que horas são? O sul é para lá, não é?” E apontava de novo para aquele recorte de céu ladeado por prédios. “Às oito e vinte e cinco ela vai passar!” E nós sem nada entendermos. E o Emerson indo e vindo, circundando a mesa, torcendo nossos pescoços com todo o seu alvoroço. “É uma mulher?” Perguntou o Marcelo. “Quem é que vai chegar?” indagou o JB. “É o ET? Cuidado com o dedo, Emerson”, adverti eu, sempre preocupado com a saúde alheia, inda mais de um amigo. “O sul é para lá, não é?” E, então, desvelou o objeto da caixinha preta: uma bússola! Sim, o antigo instrumento de localização. E apontou-a: “Ah, é! O sul é para lá, mesmo!” jactou-se. “Mas, afinal, o que é que é que vai chegar?”, inquiriu-me o Marcelo que devolvi-lhe a mesma investigação. Nesse instante, o JB levanta-se e põe-se ao lado do Emerson, ambos de costas para a mesa, olhos virados ao céu como em ancestral indagação filosófica. E o Marcelo busca a bússola no seu Iphone. E eu peço outra cerveja.

II

De repente, um ponto luminoso na abóbada do final da tarde. Um ponto veloz, distante,
cortando o eixo imaginário estabelecido entre as construções humanas do Setor Bancário Sul. “O que é aquilo?”, perguntamos. E o Emerson, com o sorriso dos que conquistaram o seu objetivo: “É a estação orbital.” E nós: “Ah...” E o JB: “Ela está iluminada!” E o Emerson: “São as placas solares refletindo a luz do sol”. E nós: “Ah...” E o silêncio imperou e todos os nossos olhares seguiram-na ao longo do SBS como se fosse uma explicação, uma esperança, um alento. Foram poucos minutos, mas nossos olhares altos recobraram uma falta. O engenho humano nos encantava. “Amanhã, nesse mesmo horário, ela vai passar de novo”, explicou-nos o Emerson. “Aí, pede para eles descerem e tomarem uma com a gente”, disse eu e concordou o Marcelo. “É mesmo”, atestou o JB. “Ela está na órbita da Terra”, seguiu o Emerson. “Seriam os deuses astronautas?”, pensei eu sem falar, que era uma frase pronta e uma possibilidade justa. Pedimos mais cervejas.

Epílogo

Depois da astronave, o que nos restava? O tudo ou o nada? O caos que habita esta nossa aparente e funcional estada? Reunidos em torno da mesa, todas essas questões desembocavam num ponto: as cervejas. E bebíamos. E bebemos. E o churras do Valdeco era a nossa estação, o nosso foguete com o qual atingíamos e atingimos o universo.
Tripulantes, passageiros, companheiros de jornadas sem temermos invernos. Sob a marquise estamos embarcados, velozes partimos para as fronteiras mais variadas, algumas, aliás, jamais confrontadas. Então, o Caíque chegou e com seus ditos filosofais e suas explicações pontuais voltei à Alice e recordei o Gato de Cheshire. Estamos escrevendo o livro desta vida. E, personagens, nem notamos. E o caos, o caos pode, sim, ser uma saída.

O caos não é bagunça, é liberdade. Talvez os deuses tenham percebido isso e fundado as cidades. Em ordem e disciplina. Quais as certezas? Por enquanto, as das cervejas.

11/02/11

PH

A verdade está lá fora, tomando uma na Marquise.

Estranhos desaparecimentos, avistamentos de objetos voadores, suicídios inexplicáveis, a presença de seres sinistros, tudo isso faz parte dos mistérios que cercam a Marquise da Galeria dos Estados. Dizem que, assim como outros sítios megalíticos, ela não foi construída, mas colocada propositalmente por seres extraterrenos, isso explicaria a atitude do Emerson, em uma noite dessas, com um ar misterioso, bem na nossa frente, eu, PH e Marcelo, e de uma bússola na mão e o olhar para as estrelas, buscando a aparição de algo enigmático no espaço, a estação espacial ou algo ligado com o incidente de Roswell? Falam por ai que esses “deuses astronautas”, um dia voltarão para buscar o que eles deixaram. Outros divagam que existem evidências, de que mesmo antes da frota de Cabral aparecer pelas terras Brasilis, ela já estava presente no coração deste planalto central. Sua construção datata pelo carbono-14, mostra que tem idade aproximadamente entre 3.000 e 2.500 AC. Em sua estrutura, foi encontrado pedras oriundas da Inglaterra, na planície de Salisbury, do monumento de Stonehenge, e não só isso, foi percebido também resíduo de areia em sua coluna, areia essa só localizada no planalto de Gizé, nas margens do rio Nilo, no Egito, e para ser mais preciso, de dentro da pirâmide de Quéops.

Outra característica da Marquise, está relacionada com a liberação de hidrato de metano, em forma de umidade, após estudos, constatou-se que essa umidade criada pelo hidrato de metano é proveniente de águas salgadas do oceano Atlântico, em uma área localizada entre o litoral do sul da Virgínia e as ilhas da Flórida, ou seja, o Triangulo das Bermudas. Talvez isso explique os sumiços dos skatistas e de qualquer animal que ali tentam se instalar. Os mistérios não acabam ai não, houve um tempo atrás, uma misteriosa escavação bem no meio da Marquise, onde esteve fortemente cercada. Foi retirado dali, em segredo, comentam, estátuas de pedra que lembram os Moais da ilha de Páscoa, mas o governo nega ter feito ou autorizado qualquer evento desta espécie na Marquise.

JB

O violeiro (ou Humano, demasiadamente humano)


Então, foi assim. Eu, o Marcelo, o Louriva e o JB com as nobres presenças do Valdeco e do Adelson em nossa mesa. As latinhas se prodigalizando... Coisa de pagamento de aposta entre o JB e o Louriva envolvendo o clássico carioca Fluminense x Botafogo. Vitória do Louriva. Vitória do Botafogo. O Emerson e a Fernanda haviam nos abandonado momentos antes por motivos distintos. O Adelson também partiu um pouco depois. A noite seguia o seu curso de provedora das almas incautas perdidas ou desgarradas desde a manjedoura.

A luz amarelada de sob a marquise nos vestindo a todos, o volume das conversas, a generosidade do gênero humano acontecendo, o tempo em suspensão. Lá fora, apenas a cascata de carros consumindo a avenida.

Buenas, eis que de repente, nada mais que de repente, invade nossa esfera O Violeiro. E, postado no campo gravitacional de nossa mesa, imponente do alto da certeza de sua verve de menestrel, de súbito olha-nos para, logo em seguida, entoar várias e várias melodias. E tanto e com tamanho ardor que uma moça loira, alta, vinda da mesa ao lado, toma-se de comoções. Ela está francamente enlevada com aquele que empunha o violão. E ele, em uma torrente inesgotável, perfila uma sensível seleção. São músicas do cancioneiro nosso espalhado pelo país inteiro e ali declamado, naquele instante, na comunhão que somente o bar dá, essa catedral mundana, profana e profundamente humana. Esse espaço donde tudo emana e a vida, ornada e refulgida, reclama.

Como que em um transe, imediatamente estávamos em festa. O Marcelo, nosso músico profissional, guitarrista virtuose, deixou-se ao deleite do entusiasmo musical de nosso novo amigo, inclusive batucando na borda da mesa. Eu, de igual modo empolgado, tamborilava no banco plástico em que estava sentado. Louriva cantarolava algumas das músicas e o JB, em um ataque peripatético, tirava fotos e mais fotos de todos os ângulos da turma do Churrasquinho. E o Valdeco, o Valdeco, o nosso bigodudo anfitrião, inclusive dançou! E olha que não era Rock’n’roll... Depois, mais adiante, até que rolou.

Recordo-me de Almir Sater, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Legião Urbana, Clara Nunes, Ana Carolina e Seu Jorge e o indefectível Bob Dylan by Axel Rose... Humano, claro. E de tal maneira que me permiti pensar que todos nós, a partir dali, para o mesmo lugar rumamos. Um lugar postado para além da consciência prévia, distante do disfarce cotidiano, estrangeiro ao enfado que nos fustiga e causa danos. O lugar da fruição espontânea, da mais que merecida vitória em distração, próximo e sedutor aos olhos e dentro do profundo coração.

E a história já estaria completa, afora o fato de um dos guardadores de carros nos visitar e à mesa sentar e pedir o violão e umas modas suas, voz mais grave e baixa, tocar. Recobrávamos, então, a entesourada espontaneidade. Reison chegou-se. Mimi também. E, como por aqui se diz, estávamos no mesmo “trem”. E pensei que em meio a tanto mal é mais do que dever nosso resgatar o bem, humanos que somos e estamos. Demasiados, por vezes, concedo, mas comovedoramente humanos.

PH
10/02/11

03/02/2011

Papo com o Chaguinha

Mulher é bicho raro no Churrasquinho do Chaguinha. Sendo justo, tem fiéis freqüentadoras. Mas ali, bicho, o ambiente é de descontração, se quiser azarar alguém ou encontrar a sua cara metade, vai pro Calaf, porra! O ambiente tá mais para uma taverna, da idade média, em Cidade do Ceará. Homens robustos tomam cerveja, e carne, muita carne. Se desejas leite, o mais próximo que conseguimos é um de seus derivados, o queijo coalho.

Agora que mania é essa de comer cuzcuz com carne seca? Viemos de uma cultura rígida, austera e autoritária. Não pense que você sendo engraçadinho irá ser bem quisto. Aqui é lugar de macho, porra! No violão só pode tocar música brega. Os assuntos predominantes variam entre futebol e carne de caçado. Ali quem nos vigia é o Conan, respeitado Leão de Chácara. Nada escapa de seus olhos. Ali não há espaço para meias-verdades. Se a verdade dói, será lá que ela será dita. Ali não tem espaço para frescura, homem mija de pé e mulher de cócoras. Mesmos os skatistas medem sempre uma certa distância, eles vêm ligeiros em seu pseudoesporte, e voltam mais rápido ainda. Esse negócio de rodinhas não é conosco, nem de comer com pauzinhos. Nós somos velozes, porra!

Mas é claro que mesmo varonis, somos respeitadores da ordem e dos proprietários. E a propriedade ali é regida pela hora. Momento há em que os zumbis vêm cobrar seu espaço. A Kombi voa. E nós, como somos machos (porra!), voltamos no outro dia.

Como apêndice do texto, segue aí:

macho (latim masculus, -i)

s. m.
1. Qualquer animal do sexo masculino.
2. Animal proveniente do cruzamento de um equídeo com um asinino.
3. Peça que tem saliências que encaixam numa peça com reentrâncias.
4. Cada uma das pregas ou dobras contrapostas em obras de costura ou em panos.
5. Instrumento para tornar côncava a madeira.
6. Peça de aço, em forma de espiral, para abrir roscas em chapa de metal.
7. Grilhão.
8. Eiró muito grossa.
adj.
9. Que é do sexo masculino.
10. Pop. Forte, robusto, másculo, vigoroso.
11. Que tem saliências que encaixam numa peça com reentrâncias (ex.: peça macha, rosca macha).

PEDRO.

01/02/2011

Boa Noite! Marquise

Estamos no inicio do ano de 2011 e um cheiro de revolução (pólvoras, multidões inflamadas e pneus queimados) invadiu a marquise, talvez um vento oriundo de muito longe, ecoando sons lá da cidade do Cairo, no Egito, perante a explosão da revolução dos muitos contra poucos!
Por um momento sinto o gosto amargo / doce da revolução e minha necessidade por ela, quase que cerro os punhos, segurando firme minha latinha de cerveja como se fosse um grande prêmio, abafo o grito silencioso na garganta. Queria a filosofia a golpes de martelo Nietzschiano, mas esse desejo é amenizado pelo simples ato de beber, não mais prevalece depois da segunda latinha.

Talvez estivesse padecendo apenas pela falta dos companheiros de luta (os quais denominamos "A diretoria"). Ando pelas mesas, dialogo com um e outro, quase ninguém presente, só o Bigode e uns poucos por ali em cantos diferentes. Cambaleio entre mesas, quase que em uma dança ilusória. Estou bêbado e ignoro a bebedeira como qualquer bêbado que ultrapassou seus limites, o primeiro sintoma já foi sentido, já perdi a audição, a segunda etapa será esquecer que tenho casa para voltar, a terceira será que amanhã será um novo dia e esse ainda não é o último, se deus quiser ... Se deus quiser??? Tenho minhas dúvidas!
Preciso ir ao banheiro, mas o fatídico banheiro público ainda não foi inaugurado, nem sei mais ir ao mictório, me falta algo, a parede molhada, bichos escrotos em frenesi, a bebida, o franguinho, a lingüiça, bisteca, coração e o baião de dois, tudo em um único gosto acre na boca.

Por um momento, segundos apenas, em meio a tudo e todos, me vem um sentimento, um estalo, um insight filosófico, uma visão quase religiosa, de que vi a verdade, a única verdade do mundo, mas antes que eu possa interpretar tal visão, tudo escurece, como um teatro que baixa suas cortinas, quando termina a peça. Busco esse olhar novamente, só encontro o “Nada” Sartriano na presença dos companheiros, "o ser!" diante de suas cervejas.
O crepúsculo místico da marquise, que já lhe é direito adquirido ser chamada e tratada por Sra. Marquise com letra maiúscula, mãe dos ébrios, solitários, boleiros, poetas, musicos, aqueles que estão apenas de passagem, os só de ida, os “devassos, libertinos, libertários, fesceninos” (Frase do PH), ou quase uma entidade divina, “Nossa Senhora das Marquises”, (frase do Emerson) guarda segredos e se apresenta como uma doutrinadora de princípios políticos, filosóficos, religiosos, mercantilistas e até científicos, e porque não dizer, musicais, diante do grande Marcelo e o violão ao lado, que já foras alvo de difamações já editadas anteriormente. Então só me resta ir dormir ao bafio, como Diógenes o Cínico.
JB.

Devassos, libertinos, libertários, fesceninos...

(em memória dos panfletos da Revolução)

Devassos, libertinos, libertários, fesceninos somos nós! Nós, estes meninos que divagam noite após noite em um ardor divino, em um comovente escrutínio de liberdade de
sabermos o que somos, de desconhecermos para onde vamos e de saborearmos o que sorvemos e absorvemos e tomamos. Formadores de um império, somos descendentes
dos romanos. A Praça do Cebolão conquistamos e as platitudes desafiamos, sem medos, sem receios e, mesmo, sem certezas. Pois, senhoras e senhores, possuímos nossos credos, orgulhamo-nos de nossos anseios e entornamos nossas cervejas!

Somos o que somos e o que seremos adiante se descortinará. Mas, por enquanto, sentemo-nos lado a lado, em memória da legendária távola, e os banquetes de Adelson degustemos. E entre um e outro pedaço arrancado na volúpia dos dentes, consideremos, entrementes, os que se alienam na banalidade cotidiana. Um brinde a eles ergamos e deixemo-los lá, na indigência de ano após ano e na eterna promessa que a quase todos seduz e engana. Não nos interessam os tesouros mundanos, a coisa reles e mesquinha que se descortina na esquina como uma flor sozinha. Buscamos o ar excelso das cervejas do Chaguinha e dos bichos mortos do Adelson!

Devassos, libertinos, libertários, fesceninos, proletários somos nós! E não nos importamos de ficarmos sós, já que compreendemos que os príncipes são assim. A solidão da coragem nos oferta esse fim. A revolução adorna as nossas retinas, impele-nos à comunhão com o universo, seres plenos, embriagados de cervejas e de versos, o coração amalgamado. E quem nos condenará por fazermos de todo dia um evento sagrado? E de toda noite uma redenção do “leite” derramado? Quem se levantará diante de nós que não derrubemos com nossas virtudes, com nossos atos, com nossas ilicitudes, com nossos bafos? Os áulicos conspiram, mas nós, alcoólicos, o hálito da inevitável vitória respiramos!

E compreendamos, nobres convivas, que nada para além se leva desta vida. Talvez, quiçá, no último momento tenhamos a clarividência total, aquilo que devolva, enfim, um sentido a tudo. Entretanto, então, já estaremos quase mortos, e mudos. E, quem sabe, se estenda o braço na tentativa de acariciar a explicação posta no espaço, o que sempre fora óbvio e perdido no absurdo. E aí, nesse momento, depostos serão os escudos e silenciados os desesperos e reunidas as premências... Por isso, bebamos com urgência!

Devassos, libertinos, libertários, fesceninos, multitudinários somos nós, multiplicados que nos fazemos pelos copos que propagam nossa voz! Sob a marquise e por sobre os danos, nós, arrebatados que somos, no Valdeci nos encontramos. E desconhecemos depravação maior do que a violência da renúncia ao sonho. Nós, oníricos, entre os feixes da realidade nos colocamos. E por ela bebemos. Bebamos!

PH - 01/02/11

28/01/2011

Cadê Xoxó? Xoxó tá ai?

Venho, por meio desta, reclamar a ausência no púlpito de nossa Santa Igreja de Nossa Senhora das Marquises, do grão-Mestre Bispo Reverendíssimo Senhor PH, poeta das almas enfermas, justo hoje, data Santa, onde nos foi abatido um animal do casco partido (e muito bem temperado) de origem ignorada, mas muito saboroso. Ó, Senhor, o que fez nosso Guia ausentar-se de tão abençoada Quinta-Feira? Teria sido o surgimento da constelação de Serpentário, o que acarretou enormes transtornos para todos nós, filhos do carbono, do amoníaco e do zodíaco? Sacrifiquemo-nos, pois, bebendo o "sangue do Inri" posto pelo coroinha Francisco das Chagas, a preços módicos, sem fins lucratícios, apenas para cumprir nossa missão cristã de orar pelo irmão ausente e ensejar-lhe melhoras... E como Saramago disse: "Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo!" Amém

Emerson. - Na noite de 27/01/2011

26/01/2011

Paz interior

Recebi essa por email. Preciso compartilhar com vocês da marquise. - JB

Li um artigo de uma conceituada revista que dizia:
“O caminho para encontrar a paz interior é terminar todas as coisas que você começou.”

Refleti bem e… Então, neste último sábado, olhei ao meu redor para ver todas as coisas que eu tinha começado e não havia acabado.

Em seguida, eu terminei… com duas caixas de Skol, o final de uma garrafa de Black Label, o resto de uma Jose Cuervo e uma garrafa aberta de Smirnoff, e uns ¾ de um garrafão de 5 litros de uma cachacinha da hora.

Você não tem idéia de como eu fiquei em paz… até flutuava…

Nós, os frustrados da marquise.


Quem sabe o que nos levou mais uma vez ali, estando a "diretoria" reunida, bebendo e cantando no melhor estilo do Deus Baco e suas Bacantes. Mas há uma diferença entres os gêneros que não posso deixar de comentar. Carregamos uma angústia nos ombros, uma frustração no andar, um vazio no olhar que talvez tarda da nossa infância.

Sim, deve ter sido algo na infância, quem sabe foi um hábito produzindo e repassado a séculos, quem sabe se fomos moldados a ferro e fogo por uma cultura indesejada e que não escolhemos. Quem sabe estamos frustrados por não ter conseguido realizar nossos sonhos juvenis de outrora, onde pensávamos que um dia seriamos jogadores de futebol, grandes ídolos do rock and roll, super-heróis imortais, pilotos de fórmula 1 ou ainda um astronauta perdido e vagando no espaço.

Nossa frustração entra em um embate com o outro gênero. Elas estão ali, sorridentes, e suas alegrias parecem transparecer exatamente que sabem a receita correta de se buscar a felicidade, e elas estão muito mais propensas a consegui-la do que nós, espécie aborrecida. Não diferentemente, elas também são frutos de ilusões e fantasias da sua infância, onde em meio a quimeras, brincavam de bonecas, as quais tratavam de ”filhinhas”, brincavam de ter uma casinha, de fazer comidinha para o maridinho fictício. Tão moldadas quanto nos, mas sem esse olhar perdido no vazio, elas parecem saber o que querem, e lutam por isso, querem exercer a função inglória da maternidade, de buscarem o lôbrego título matrimonial como forma de alimentar sua ufania, sem querer conhecer a origem advinda da sua meninez.

Nós, os frustrados de plantão, ficamos horas e horas em trabalhos que não desejamos, tendo que suportar a dor surda e aceitá-la como se fosse algo banal. E então corremos após o expediente, como crianças imprudentes que correm para o brinquedo desejado. Vamos em direção à marquise, como se ali pudéssemos ser algo perdido no tempo, e em meio a um contágio lúdicro vindo das cervejas consumidas, nos iludimos mais uma vez, até que, como diz o poeta PH, “La Revolución vingar”, e que possamos moldar nossos espíritos sedentos pelas proezas e histórias de um cavaleiro andante, na marquise, bebendo cervejas.

JB.

24/01/2011

A nobre arte

E como estivéssemos distraídos, a sexta-feira chegou. Não qualquer sexta-feira, mas “A”
sexta-feira. A inaugural. A fundadora. A primeva. O dia mais aguardado da semana invadiu
o período de férias estivais e coloriu o Valdeci com a presença massiva de todos. Inda dia os convivas foram chegando e, de tanto se comentar, ficando famoso o nosso lugar, outros mais foram ali adensar. Cheguei com sol e a mesa já estava “posta” com um representante da Diretoria, o Pablo, e os amigos Cadu, Patrícia, Arthur, Raquel, Bebel, João e Graci.

Próximos, mas em outro povoamento, estavam o JB, o Doca com a namorada e alguns amigos. Lá no fundo, para minha surpresa o Reisson retornava e, para variar, com o Pegoraro. Quando, em meu campo de visão irrompe o Emerson e, logo após, o Cabeça. Daqui a pouco, chega o Marcelo e no instante em que me volto para a churrasqueira e suas baforadas sublimando o balé do atendimento do Valdeco e do Juca e do Aílton e do Chaguinha, sim, o famoso Chaguinha, surpreendo bebendo sozinho o Caíque, nosso sábio de tantos e tantos adágios.

Estávamos de volta, a Diretoria espraiada e reunida, com outros vários mais presentes. A Madame Mimi, a Miriam, o Adelson, a Elisângela, a Marilete, o Acácio, e colegas de banco e de copo. E os proverbiais mendigos, vagabundos, prostitutas, pedintes, errantes. Tudo magicamente voltava a ser como antes. E sem nenhuma programação. E, entretanto, semelhando um chamado, cada um foi chegando, cada qual do seu canto, do seu lado, completando o nosso chão. Apenas o Louriva faltando. “Oh, semana que vem vou trazer um ‘negócinho’ aí para a gente comer”. O aviso do Adelson trouxe a confirmação: as férias acabaram. Mais um ano começa e a Diretoria cumpre com galhardia sua tarefa. De coração.

E o reencontro lembrou-me o poeta, o poetinha, Vinícius. “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro por aí”, dizia ele. Então, artistas que somos, no Valdeco nos pomos. Cada um com a sua história, com o seu apego, com o seu desapego, com a sua memória. Lembramos de músicas e d’outras tantas coisas nos esquecemos. Pelo menos, momentaneamente. Voamos, de repente. E esta aventura vivemos.

A noite chega e alguns amigos se vão. Mas, a Diretoria, a Diretoria, não. E nisso, nos colocamos a uma mesa; e o Doca traz o violão, aquele mesmo de outra ocasião, e o Marcelo se põe a tocar e o Cabeça a cantar e um e outro e, num átimo, quase todos, que as conversas laterais também são de bar. Desfilam conosco Smiths, Legião, Uns & Outros, Engenheiros, Paralamas, Red Hot, Cure, Plebe, Capital, etc. E as latinhas em um cardume cada vez maior. Cruzávamos o mar da semana rumo ao oceano de dois dias. E o nosso comandante, por um tempo, foi um mendigo-pedinte-fumante que, inspirado e delirante, postou-se no chão, entre o Cabeça e a Patrícia, e a plenos pulmões cantava com devoção.

Esse o espírito da reunião. Uma cunha nos músculos do cotidiano. Uma maneira de acalentar o “mundo mundano”. E como deuses nos portamos, ou seja, indiferentes e humanos. E por mais uma dessas vezes nos emocionamos. Pois, se pensarmos bem, o acaso dessa nossa convivência é da vida a beleza em excelência. E, se daqui a algum tempo tudo isso for passado, nenhum de nós poderá ser condenado. Não, por viver. E inocentemente, que sempre algo nos escapa, senão a maior parte. Assim, fazemos dessa nossa lida uma arte. A nobre arte do convívio. O Valdeci é a pequenina ilha de nosso exílio. “Napoleônicos?” Loucos? Sardônicos? Talvez, apenas atônitos. Atônitos com o tanto de absurdo. Assim, seguimos o curso.

*Esse texto trata-se de uma transcrição fiel e detalhada de fatos e eventos verídicos. Portanto, qualquer mínima ou mesmo quase imperceptível semelhança com a realidade deve ser considerada uma incrível e indissociável coincidência. Uma das facetas da verdade.

PH.

21/01/2011

Setor Bancário Sul


"Lá se foram horas de conversa afiada. Estamos nós, jovens provenientes de várias etnias e destinos, a divagar sobre tudo. O ponto de ligação entre os presentes é o Banco do Brasil. Raras são as pessoas como eu, que não trabalham em nenhum banco, mas dedicam uma parte do seu tempo para sentar no boteco do Chaguinha. Neste ambiente está Brasília, que, na perspectiva do sonho do seu criador, é vislumbrada. Um colosso de concreto com traços modernos. Aqui eu me sinto setorizado, pegando emprestado o nome oficial da área: Setor Bancário Sul (SBS). Eu poderia encontrar paz e sossego em bar convencional, mas estou com pressa de dizer aonde eu quero chegar. Daqui, desse conjunto de mesas e cadeiras, um (talvez três) isopor(es), churrasqueira em brasa, olho para a frente e vejo ela: a Kombi! A Kombi até mereceria um capítulo à parte. Está acima da Mistery Machine do Scooby-Doo, mas abaixo da Caravana Rolidei do Bye-Bye Brasil. Somos reféns daquela Kombi, de onde sempre esperamos sair alguma novidade. Reza a lenda que daquele fantástico veículo são colhidos temperos e preparada todas a carnes. Particularidades envoltas em mistérios como chamariz econômico. Porque, como toda Kombi utilizada para fins comerciais em Brasília (por exemplo, a do mecânico), esta anda. Ela se utiliza da força do próprio motor para ir e vir livremente. Se meu Fusca falasse, aquela Kombi nos levaria até a Bahia. E lá, noite e dia, se tornaria objeto de culto.

Voltando ao sonho do criador. A filha de Lúcio Costa falou com propriedade que se Brasília fosse um filme, Niemeyer seria o ator principal e Lúcio o diretor e roterista. Diante daquele conjunto de cadeiras eu vislumbro e percebo a leveza do concreto no céu de Brasília. Concreto este que estamos corroendo. O banheiro comunitário nunca é inaugurado, só as mulheres entram nos prédios vizinhos, portanto a nossa acidez penetra pelos poros do concreto até atingir o aço, provocando a corrosão das estruturas. A nossa Revolução silenciosa se perpetuará. Tenho medo que, de tanto mijar, eu destrua o endereço de trabalho dos meus amigos. Mas eu não quero saber de mictórios."

Pedro

Hino do Valdeci


(emprestando o sensacionismo de Alberto Caieiro)

E, por não estarmos lá ou acolá Sim, sim, estamos nós, de volta aqui Vivemos para beber, sorver e tragar Ei-nos no lar, no churrasquinho do Valdeci

Nós somos da diretoria, bebemos todos os dias
Mas só à noite, desde cedo até as horas tardias E buscamos o enlevo, nós bebemos sem medo Pois se no início era o verbo, agora são latinhas vazias

E, por não estarmos lá ou acolá Sim, sim, estamos nós, de volta aqui. Vivemos para beber, sorver e tragar. Ei-nos no lar, no churrasquinho do Valdeci

Um por todos e todos por um, guardadores do rebanho. Bebemos, sorvemos e tragamos da confraria os sonhos. Passeando nos campos da Praça do cebolão, no Valdeco. Colhemos as alegrias e as cervejas que estão por perto , E, por não estarmos lá ou acolá
Sim, sim, estamos nós, de volta aqui
Vivemos para beber, sorver e tragar
Ei-nos no lar, no churrasquinho do Valdeci

E bebemos intensos, imensos, de coração
Altivos, garbosos e elegantes, sempre com um copo na mão
Que as certezas estão guardadas em várias garrafas de cervejas
E no Valdeci a explicação do mistério do universo sobeja.

PH

20/01/11